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A democracia do terror

Há pessoas que dizem em qualquer canto que “o povo tem o que merece”, referindo-se à qualidade ou competência dos políticos que têm governado. À mesa só posso comer o que a mesa contém. No país só podemos ser governados pelos políticos que há. O povo nunca terá culpa da mentira organizada, dos predadores sem lei, daqueles que desconhecem a cor ou os sintomas dos escrúpulos, da seriedade e daqueloutros que não olham a meios para satisfazerem ambições e privilégios sem lei.

Artur Soares
17 Mai 2013

Os que têm governado Portugal, salvo uma ou outra exceção, apenas se abastecem: trazem frequentemente a infelicidade à Nação, o medo organizado, a falta de esperança individual e coletiva, a obrigação, para tantos, de esconder a pobreza e a revolta que diariamente a todos corrói.
Convenço-me que Portugal não vive em democracia. Se vive, será a democracia do terror, a que esmaga, consome e sobretudo a democracia que não condiz com o acreditar do povo nas urnas e, muito menos, com as promessas efetivamente feitas, visando assim o saque dos votos.
Nestes últimos anos, tem-se respirado na rua, no trabalho e nas famílias autêntica brutalidade política. É que os nossos governantes limitam-se a gastar, a esbanjar, a empobrecer o povo e os cofres do Estado, e não são capazes de pensar na produção nacional, no ataque à rapacidade local e de governos estrangeiros, e na existência de trabalho para todos.
Têm sido quedos ou estáticos de ideias, subservientes daqueles que teimam em sugar os povos, a troco de elogios políticos e boas remunerações, enquanto milhões perneiam e outros já pensam em morrer ou abandonar a terra onde nasceram. Portugal tem sido desilusão!
Os portugueses não se identificam com estes dois últimos governos, nem com esta democracia pirata que este presidente da República ajudou a construir e que teima em manter um governo que nada mais sabe fazer a não ser depenar o povo. Esta gente parece os novos ditadores.
O grande paradoxo das sociedades democráticas é que o homem é livre para expressar os pensamentos e dar opiniões, mas frequentemente vive num cárcere intelectual e, por quem governa, dispensado: livre por fora, mas atado por dentro.
Por isso, o presidente da República tem obrigação de “ler” o sentir do seu povo, de ser o fiel da balança para todas as situações que envolvam o bem ou o mal do país, de estar a fundo e ao lado da justiça social de harmonia com a lei e só muito pouco tem estado. Tem sido facilitista, pasmado com a realidade nacional, frustração de quem nele confiou, padrinho da infelicidade sentida. O presidente da República não pode no tempo atual ser um presidente dos anos sessenta do século passado, mas sim um presidente que não tenha medo de crises políticas nem de eleições. Tem que ter medo sim, de apadrinhar novos ditadores e encenações de medos diários que se veem sofrendo para engordar pessoas ou países que não passam de sugadoras melgas.
Assim sendo, exige-se competência, porque um bom líder corrige erros, e um excelente líder previne-os; um bom líder enxerga o que está ao seu redor, mas um excelente líder vê além do que está diante de si.
As crises combatem-se com armas atuais e não com fisgas de caçar pássaros. É certo que não temos um único partido político na oposição com capacidade de respostas para a resolução da aflição nacional. Mas temos possibilidades de negociar bem a dívida existente, de investir na agricultura e no mar, de não se ser saqueado pelo trabalho efetuado e pelo saque de dinheiro aos aposentados públicos, de reduzir ao esbanjamento de dinheiros que paga a “especialistas”, outros do género – que entraram por nomeação na máquina do Estado – de não sermos os incompetentes ou os madraços da Europa.
Elimine-se a democracia do terror ou a democracia pirata e movediça.
O povo não foi, não é culpado nem pode ser acusado do país estar como está. Alguém foi culpado. Esses estão vivos. Retire-se o que não lhes pertence, pois são muitos os milhões por eles sugados.
Sejamos justos, honestos e jamais facilitistas, neste Portugal que mais parece um país amordaçado, sem eira nem beira.




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