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Temos de mudar de vida…

Nada resolvemos com pessimismo e de muito pouco vale a nossa indignação num Estado empobrecido, mas onde ainda há quem ignore os efeitos das medidas do Governo. Muitos meses após ter chegado ao Governo, nem o Primeiro ministro nem o responsável das Finanças  conseguem explicar ao país o insucesso das suas políticas. No Parlamento também pouco se diz para esclarecer os cidadãos, parecendo os nossos eleitos demasiado ocupados em jogos políticos e réplica constante.

J. Carlos Queiroz
16 Mai 2013

Mas será apenas isto que vai mal em Portugal? É claro que não. Muito mal vamos quando pouco se fala em economia e ninguém apresenta objectivamente programas exequíveis para solucionar os desafios que temos pela frente. Diz o povo e com razão que sempre que um fulano fala muito, mas daí nada resulte, que é muita parra e pouca uva, e na verdade andamos cansados de ouvir falar em mais austeridade, possibilidade de serem necessárias mais medidas, ou simplesmente, que vamos aumentar as falências de empresas e o desemprego! Porque não temos investimento e temos obrigatoriamente de pagar dívidas periodicamente. De tempos a tempos, alguém alude à necessidade de mudar de rumo, mudar de vida, porque estas medidas já provaram nada resolver. Mas se as soluções não abundam ou mesmo não existem, todos sabemos que desistir não faz parte de nenhum programa e, talvez por isso, vamos mantendo alguma esperança, ainda que ténue, enquanto comentadores e políticos traçam cenários e desenvolvem teorias sobre o regresso de um ex–ministro que vira comentador, ou alguém que saiu de funções do Estado a seu pedido e agora se diz regressa para um cargo especial bem remunerado e com efeitos retroactivos!  Na verdade tudo é possível.
Estamos cansados de ouvir atribuir responsabilidades a quem sai do governo, mas quando pensamos que os sinais mostram alguma esperança, logo aparecem noticias que mostram novos problemas geradores de instabilidade social. Temos de mudar de vida, sendo certo que já muitos políticos e economistas o disseram, ou mesmo escreveram em livros.
Não faltam pois ideias. No entanto, o país continua prisioneiro de um memorando, que limita qualquer programa que vise relançar a economia. Na verdade são demasiadas as limitações perante um país pequeno e endividado, à mercê de credores naturalmente preocupados em receber juros e muito menos em contribuir para o nosso crescimento económico. Estamos pois com vontade de mudar de rumo, mas sem capacidade para o fazer, sem a solidariedade e ajuda internacional duma Europa, também ela demasiado ocupada em resolver os seus próprios problemas. Mudar de vida é assim uma necessidade, mas para isso temos de ter trabalho e investimento. A conclusão é pois e apenas uma: a austeridade, por si só, vai continuar a nada resolver. Temos de mudar de vida… mas com trabalho, emprego e desenvolvimento.




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