Fotografia:
Dividir para “reinar”…

Osucesso do Império Romano na Guerra das Gálias deveu-se, em grande medida, à esperteza de Júlio César. Este imperador soube juntar à sua competência política, a uma logística eficiente e a um maior poderio militar, uma reconhecida capacidade para se aliar aos chefes das “tribos” mais poderosas da Gália. Para alcançar essas “alianças”, porém, precisou de conceber uma estratégia inovadora: dividir para conquistar (reinar)!

Victor Blanco de Vasconcelos
16 Mai 2013

Na verdade, Júlio César começou por acicatar os ânimos entre as diversas “tribos” da Gália, para depois se aproveitar dessas dissenções tribais e “selecionar” os grupos a quem lhe interessava aliar-se – e, assim, dominar primeiro uns, depois outros, e mais tarde outros ainda… até à conquista final!
Em Portugal, porventura o país mais “unitário” da Europa, este “princípio” também já foi aplicado, ainda que sem grande sucesso, pelo menos por duas vezes ao longo da nossa História: aquando do domínio dos Filipes (especialmente de Filipe I) e, depois, no período posterior às Invasões Franceses – em que a Inglaterra quis “dominar” politicamente o nosso país através da ação ditatorial do Marechal irlandês William Carr Beresford.
Apesar da “propaganda” levada a cabo por Filipe (de Espanha) e por Beresford, a verdade é que nunca essas personalidades conseguiram, em última instância, dividir radicalmente os portugueses!
Todavia, o mesmo não se poderá dizer do que se está a passar no Portugal desta segunda década do século XXI. Em (apenas) dois anos, o atual Governo conseguiu dividir profundamente o Povo português, através de uma “propaganda” que já ganhou raízes na sociedade lusa – a saber: colocou os jovens contra os idosos (por causa das pensões/reformas e do sistema de “vínculos” laborais); colocou os trabalhadores do setor privado contra os trabalhadores do setor público, evocando supostas “regalias” destes últimos em relação aos primeiros; e até colocou os empresários “privados” contra os gestores públicos!
O resultado está à vista de toda a gente: portugueses contra portugueses, jovens contra idosos, trabalhadores “privados” contra trabalhadores “públicos”, patrões/empresários contra gestores de empresas estatais…
Portugal está completamente subjugado aos ditames economicistas (e ideológicos) da “troika”, tal como já esteve subjugado ao poderio dos Filipes e de Beresford. Nessa altura, porém, terminados esses “domínios externos”, o Povo português foi capaz de se manter unido. Tenho, porém, muitas dúvidas que isso venha a ocorrer quando o domínio da “troika” (e, já agora, da OCDE…) terminar!




Notícias relacionadas


Scroll Up