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Apanhando as canas

Falou e falou bem, o nosso presidente António Salvador. Não me vou alongar em assuntos que já foram mais do que debatidos. Perdemos o terceiro lugar para um brioso adversário, o Paços de Ferreira, a quem devemos dar os parabéns. Tivemos culpas próprias e não foi por falta de aviso. Aquilo que o presidente disse só veio confirmar o que muitos de nós, há muito tempo, já vínhamos a dizer. Agora anunciam-se cabeças que vão rolar. Aqui reside a minha maior preocupação; é certo que há atletas que terminaram o seu ciclo. Mas esta forma de colocar a questão faz adivinhar aquilo em que o futebol é fértil: na falta de reconhecimento perante aqueles que muitas alegrias nos deram.

Manuel Cardoso
16 Mai 2013

Há dias vimos um clube da Liga fazer uma homenagem totalmente descabida a um atleta que esteve dois anos nesse clube, em que foi brutalmente criticado e onde criou polémicas enormes. Foi uma homenagem exagerada mas em Braga, muitas vezes, caprichamos em fazer precisamente o contrário: em esquecer depressa os que nos honraram com grandes momentos de futebol. Costuma dizer-se que a memória dos homens é curta, mas é também verdade que sem memória não há história e sem história não há futuro. As crianças, os nossos associados de amanhã não esquecerão tão cedo os craques que venceram…
Agora, se tivermos a tristeza de ver sair jogadores e homens grandes como Alan, Quim ou Hugo Viana, espero que lhes seja feita a justa homenagem e que não os deixemos sair pela porta pequena. Este é um pedido muito sério e veemente que faço ao nosso presidente António Salvador. Estes e outros atletas merecem uma bela festa de homenagem, por exemplo, num jogo da pré-época.
Mas voltemos ao assunto. A época está a acabar da pior maneira para nós. Tivemos o pássaro na mão e nem sequer podemos dizer que o deixámos fugir: simplesmente fizemo-lo fugir. Acho que nem que quisessem, os nossos jogadores não conseguiam fazer pior do que fizeram naquela segunda parte, principalmente depois de a Académica marcar o golo que nos podia colocar na Champions League. Foi um final triste, em que vieram ao de cima todos os equívocos com que abordámos a segunda parte da temporada: jogadores a atuar fora da sua posição, outros sem qualidade para um candidato à Champions e um treinador apático, a ver “a banda passar”. Nada havia a esperar de uma situação destas. Surpresa seria se, mesmo assim, ficássemos em terceiro lugar. O nosso destino estava marcado: apanhar as canas da festa dos outros…
Mas olhemos para a frente; vamos ter uma equipa mais modesta mas isso não significa que teremos um rendimento desportivo inferior. Leonardo Jardim e Domingos Paciência continuam sem clube. Já adquirimos nove jogadores novos mas um destes técnicos seria, sem dúvida, o melhor reforço com que qualquer de nós poderia sonhar. Talvez esse fosse o primeiro passo para voltarmos a, realmente, ter uma equipa de guerreiros. Dizia o Carlos Tê, na música do Rui Veloso “nunca voltes ao lugar onde já foste feliz, só encontrarás erva rasa entre as lajes do chão”. São versos bonitos mas todos sabemos como o poeta é um fingidor…




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