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A nova ágora

1 Celebrou-se domingo o 47.º Dia Mundial das Comunicações Sociais. Bento XVI dedicou a mensagem que para ele escreveu a uma reflexão sobre as redes sociais, à frente das quais, no número de utilizadores, penso encontrar-se o facebook. Na opinião de Bento XVI, «as redes sociais digitais estão a contribuir para a aparição duma nova ágora, duma praça pública e aberta onde as pessoas partilham ideias, informações, opiniões e podem ainda ganhar vida novas relações e formas de comunidade».

Silva Araújo
16 Mai 2013

A ágora era, nas cidades gregas, o local destinado ao comércio, aos encontros, às manifestações religiosas e cívicas, às assembleias políticas. A ágora de Atenas, de manhã, entre as 09h00 e as 12h00, era um centro económico. De tarde, convertia-se num centro social e cívico, onde as pessoas se juntavam para conversar.
Décadas antes, referindo-se aos Meios de Comunicação Social (as redes sociais digitais ainda não estavam divulgadas) Paulo VI tinha-os considerado «uma versão moderna e eficaz do púlpito» (Evangelii Nuntiandi, 45) e João Paulo II, «o primeiro areópago dos tempos modernos» (Redemptoris Missio, 37 c).
 
2. Na referida mensagem Bento XVI alerta para o facto de as redes sociais digitais serem «uma realidade cada vez mais importante» que nenhuma pessoa consciente deve ignorar. «Tornam-se cada vez mais parte do próprio tecido da sociedade».
Mostra algumas das suas potencialidades, que todos devem saber aproveitar.
Refere a necessidade de tais redes serem bem usadas, para que se possa usufruir das riquezas que efetivamente possuem.
 
3. Sendo a nova ágora (ou um dos novos púlpitos) as redes sociais também são um espaço onde deve estar presente, de forma explícita ou implícita, a mensagem cristã. Isto constitui um desafio para todos os cristãos, conscientes do dever de testemunharem a sua fé e de evangelizarem. É que, escreve o Papa Emérito, «se a Boa Nova não for dada a conhecer também no ambiente digital, poderá ficar fora do alcance da experiência de muitos que consideram importante este espaço existencial». E prossegue: «O ambiente digital não é um mundo paralelo ou puramente virtual, mas faz parte da realidade quotidiana de muitas pessoas, especialmente dos mais jovens».
Volto à Evangelii Nuntiandi, para acentuar o que então escrevia Paulo VI: «Postos ao serviço do Evangelho, tais meios são suscetíveis de ampliar, quase até ao infinito, o campo para poder ser ouvida a Palavra de Deus e fazem com que a Boa Nova chegue a milhões de pessoas. A Igreja viria a sentir-se culpável diante do seu Senhor se não lançasse mão destes meios potentes que a inteligência humana torna cada dia mais aperfeiçoados. É servindo-
-se deles que “apregoa sobre os terraços” a mensagem de que é depositária».
 
4. A educação para o correto uso dos Meios de Comunicação Social, quer na perspetiva do emissor quer na do recetor, continua a ser um imperativo grave para todos os formadores.
Cito de novo Bento XVI, na mensagem para o passado dia 12: «Estes espaços, quando bem e equilibradamente valorizados, contribuem para favorecer formas de diálogo e debate que, se rea-lizadas com respeito e cuidado pela privacidade, com responsabilidade e empenho pela verdade, podem reforçar os laços de unidade entre as pessoas e promover eficazmente a harmonia da família humana. A troca de informações pode transformar-se numa verdadeira comunicação, os contactos podem amadurecer em amizade, as conexões podem facilitar a comunhão. Se as redes sociais são chamadas a concretizar este grande potencial, as pessoas que nelas participam devem esforçar-se por serem autênticas, porque nestes espaços não se partilham apenas ideias e informações, mas em última instância a pessoa comunica-se a si mesma».
Infelizmente, nas redes sociais também é colocado lixo. Isto exige de quem as utiliza de uma forma consciente e responsável o devido discernimento para saber distinguir o que deve merecer atenção do que deve ser posto de lado.




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