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A lei da responsabilidade (II)

A humanidade aprendeu por meio de amargas experiências que não se pode confiar numa pessoa incapaz de se controlar a si própria. Não se pode dar a um homem o poder da autoridade sobre os outros antes de ele ter aprendido a aceitar com cortesia e espírito construtivo a autoridade de outros homens competentes, honestos e bem preparados. Na maioria dos casos, os tiranos e os déspotas manifestaram, já nos seus primeiros anos da infância, uma grande aversão alérgica a qualquer tipo de autoridade. Ou não tiveram qualquer orientação familiar ou ela não foi suficientemente firme e esclarecedora.

Artur Gonçalves Fernandes
16 Mai 2013

Todos somos responsáveis pela qualidade da nossa vida e pelo efeito exercido por nós sobre os outros (construtivo ou destrutivo), quer pelo exemplo, quer por influência diretiva. Daqui se pode imaginar a grande carga de responsabilidade que pesa nos ombros dos responsáveis pelos destinos das sociedades. E que leviandade e grau de impreparação se nota em tantos governantes! Quantos desperdícios e esbanjamentos se veem durante os seus mandatos! Quantos sacrifícios se impõem ao povo simples, honesto e trabalhador, por causa dos enormes erros, muitos deles irreparáveis, desses incompetentes e desonestos governantes e seus apaniguados, muitas vezes arrebanhados no seio dos interesseiros seguidistas! Viver é já um problema em si difícil, mas saber viver é ainda mais complicado. A nossa existência deve ser vivida também para ajudar as pessoas que entram no círculo das nas nossas relações humanas e sociais. Mas muitos homens só pensam em prejudicar os outros. Um dia, certa pessoa disse-me que, se alguma vez fizesse bem a alguém, seria por engano. Aqueles que nos conheceram ou vierem a conhecer ficarão melhores ou piores precisamente por nos terem conhecido.
“Tal como o comerciante faz a sua contabilidade e o cientista possui os seus cadernos para anotar os resultados das suas experiências – escreveu Alexis Carrel – também cada pessoa devia registar diariamente o bem e o mal por si provocados. Acima de tudo devia tomar nota de quanta alegria ou tristeza, ansiedade ou paz, ódio ou amor, deu aos seus familiares e vizinhos. É pela paciente aplicação destas técnicas que a transformação dos nossos corpos e almas se torna gradualmente em realidade.” O ser humano, não raras vezes, está pronto, cheio de boa vontade e ansioso por controlar tudo, exceto ele próprio. Infelizmente, as gerações atuais estão a ser formadas sob o signo da autoexpressão, a qual, sendo traduzida negativamente (como é em grande parte), implica que não deve haver nenhuma autolimitação, dando lugar a uma total libertinagem.
O Dr. William Glasser escreveu: “As pessoas não agem irreflectidamente por estarem doentes; estão doentes porque agem sem reflectir. Uma pessoa responsável faz o que lhe dá uma sensação de utilidade e o faz sentir prestável aos outros. Como podemos satisfazer as nossas carências? Fazendo o que é realístico, responsável e correcto.” As pessoas fogem às suas responsabilidades, e essa atitude é uma das causas do mal-estar na sociedade. Pensam que as responsabilidades desaparecem por si se as ignorarem ou evitarem. A base da realização e da evolução é a responsabilidade. E responsabilidade é o preço a pagar pelo direito de fazermos as nossas próprias opções. O conceito de responsabilidade implica a tomada de oportunidades livres e racionais. Então, tornar-nos-emos ricos ou pobres, cultural e moralmente, conforme aproveitarmos ou esbanjarmos as referidas oportunidades. E quão maltratados andam estes conceitos de liberdade, responsabilidade e racionalidade! Há muitas pessoas de todos os quadrantes sociais e culturais que se esquecem de que todos e cada um são responsáveis pelas 24 horas de cada dia. O modo como as usamos ou delas abusamos afeta não só a nós próprios como também aqueles que nos rodeiam. Não vivemos em nenhum deserto ou vácuo. Vivemos integrados em comunidades e, portanto, temos responsabilidades uns para com os outros.




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