Fotografia:
Obviamente, demito-me

Como cidade bimilenar, augusta, barroca e dos Arcebispos, Braga tem no seu património e tradições a marca da sua monumentalidade e ancestralidade histórica, arquitetónica e cultural. Muito embora nem sempre seja acarinhada e preservada pelos poderes públicos, como de inteira justiça e cabal bom senso seria, e comprovado está no incompreensível faz de conta que anda, mas não anda, do Complexo Monumental das Sete Fontes.

Dinis Salgado
15 Mai 2013

Todavia, não se eximindo aos atributos de jovem e cosmopolita, a nossa cidade igualmente tem numa vasta zona pedonal, no estádio Municipal Axa, no maior túnel rodoviário do país, nos lajedos de algumas praças e mas, nas superficies comerciais e no recente espaço GNRation os seus, poucos, ex-líbres de modernidade e mundividência. Ex-líbres, sim, embora de discutível displicência e inoportuno usufruto.
Pois bem, como sempre no melhor pano sempre cai a nódoa e não há bela sem senão, abundam por aí exemplos de negligência, mau gosto e abandono bem patentes na ocupação desordenada e de espaços, na descaraterização de paisagens e na fruição pouco ecológica do ambiente. E, então, no que à plena fruição de jardins, parques infantis e espaços verdes e de lazer diz respeito, os bracarenses continuam a léguas de o fazerem. Basta pensarmos nos metros quadrados de zona verde a que, pela lei de proteção urbana, ambiental e humana, cada cidadão tem direito, para concluirmos que Braga ainda tem de pedalar arduamente para chegar à meta.
Ora, se os jardins, por exemplo, são, em qualquer cidade dos nossos dias, uma marca de modernidade, conforto e qualidade de vida dos cidadãos, nem sempre na nossa cidade eles tratados são como deviam. E se o Jardim de Sta. Bárbara ainda é um postal profusamente ilustrado da cidade e que o mundo corre nos filmes fotográficos de quem nos visita, outros há que não passam de postais a preto e branco, insalubres e insonsos.
É o caso gritante do espaço verde, que jardim não é mas devia ser, do Largo João Penha, ali bem defronte para a Liberdade Street Fashion (a mania que por aí vai do uso de estrangeirismos). Sito numa das zonas mais visitadas da cidade, este espaço relvado, para além de mal tratado, não passa de uma enorme latrina para cães, a céu aberto. E, se para além da má imagem de abandono que causa a quem por ali deambula, é a sanidade pública que está em jogo. Já para não falarmos, claro, na afronta que é ao enorme poeta João Penha!
Por isso, convido o responsável autárquico pelo Ambiente, Jardins e Zonas Verdes a visitar o local e ver e cheirar o que, há muito tempo, eu cheiro e vejo, e, de seguida, diga de sua inteira justiça. E, sinceramente, penso que o que terá a dizer é tão só: Obviamente, demito-me!
E até para que não seja lícito perguntar:
– É bom viver em Braga?
E lógico responder:
– Só pr’alguns! Só p’ralguns!
Então, até de hoje a oito.




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