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Irremediavelmente, converti-me!

As peripécias que rodearam a última reunião da Câmara Municipal de Braga têm tanto de picaresco quanto de escandaloso que é difícil escolher para que lado cair. Por isso vou ao cómico porque quanto a escândalos já estamos conversados. Volta não volta a maioria (dita) socialista – convém não confundir, porque muito socialista respeitável, e respeitado, não se revê neste tipo de jogadas, pelo contrário… – surpreende-nos com mais uma decisão mirabolante. Mas vamos ao assunto.

Maria Helena Magalhães
15 Mai 2013

Na reunião do dia 9 de Maio o executivo deliberou com os votos favoráveis dos vereadores socialistas, expropriar com carácter de urgência  prédios contíguos à Casa das Convertidas, que até ao anterior dia 30 de Abril eram propriedade de uma sociedade detida pela filha e genro do presidente da câmara, e sobre os quais recaíam duas hipotecas. O que, pasme-se!, foi prontamente objecto de denúncia pública mesmo antes da tal reunião que em nada foi alterada, obviamente. E, necessariamente, no fim da dita o também dito senhor presidente teve de explicar aos jornalistas que a já dita expropriação era de uma “transparência cristalina” e que todo o falatório em redor não passava do costumeiro hábito de o caluniar e envolver o “nome de familiares seus em negócios camarários”. O que como se pode ver, neste caso, não tem um pingo de verdade pois, que se saiba, filha e genro podem até ser próximos mas não são família, homessa!
Falta dizer que a Casa das Convertidas não é propriedade municipal, nem pouco mais ou menos, e que a urgente expropriação é necessária para desenvolver o projecto de instalação naqueles imóveis de uma urgentíssima Pousada de juventude que  há pouco mais de um ano estava prevista para a freguesia de Real e cujo projecto estava – se é que já não está – para financiamento (do QREN). Ora, todo este enredo é de uma candura que podia ser angelical se de terrestres não se tratasse! O senhor presidente quer fazer uma urgente pousada numa casa (das Convertidas) que não lhe pertence e nuns outros prédios que pertenciam a uns (des)conhecidos(?) e agora pertencem a um (des)conhecido(?) e carecem de expropriação e as más-línguas desatam a caluniar a pretensão deste homem probo, incapazes de vislumbrar o alto desígnio municipal. Pobres mentes!
Perante isto, irremediavelmente, converti-me. Ao municipalismo. Há tempos acalentava a ideia de me aproximar de pessoas que acreditassem que o exercício municipal, cidadão, é possível. A formação de um movimento livre, independente, foi uma atracção imediata. Primeiro foi um Manifesto, cerca de 60 subscritores. Depois foi a primeira assembleia, aberta ao público, e a certeza de que o “Cidadania em Movimento” percorrerá todo o seu caminho, apresentando os seus candidatos, sufragando deliberações, chegando de corpo inteiro e olhos lavados ao pleito eleitoral, vulgo chamado, às autárquicas.
Para acabar de vez com Convertidas e quejandos. Para que não mais se justifique reclamar a expropriação urgente do governo municipal.




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