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Nem Deus é «spray», nem a Igreja deve ser «baby sitter»

1Quase toda a gente fala de Deus e muita gente assume até falar com Deus. Aquela que se pensava ser uma «era pós-religiosa» parece que deu origem a uma «época neo-espiritual». Boaventura Sousa Santos acertou em cheio: «Do êxodo de Deus passámos ao êxito de Deus». 2. Na verdade, Deus está de novo em alta. Mas de que Deus se trata? De que – ou de quem – falamos quando falamos de Deus? 3. Há dias, o Papa Francisco denunciava «um “deus-spray” que está em todos os lugares, mas não se sabe o que seja».

João António Pinheiro Teixeira
14 Mai 2013

De facto, a fé não se queda em generalidades. A fé é muito concreta, pessoal: «Nós acreditamos no Deus que é Pai, que é Filho, que é Espírito Santo, acreditamos em Pessoas. E quando falamos com Deus, falamos com pessoas».
4. O papel da Igreja tem de ser o de um despertador e não o de uma «baby-sitter».
A imagem também pertence ao Papa Francisco, que rejeitou uma Igreja feita de rotinas, em que os fiéis se contentam com o mínimo.
5. Para o Santo Padre, a Igreja não é chamada a ser uma «baby-sitter», cuja missão seria entreter e adormecer as pessoas.
Na verdade, pode haver a tentação de «pensar: “fui baptizado, fiz a primeira comunhão, a confirmação, o meu bilhete de identidade está em ordem. Agora posso dormir tranquilo: sou cristão”.
6. Não é esta, porém, a missão da Igreja. A missão da Igreja é ser autenticamente mãe: uma mãe que gera, acolhe, integra e caminha com quem está no caminho.
Isto há-de repercutir-se não apenas na forma como a Igreja se concebe, mas também no modo como a Igreja se apresenta.
Ela não pode ser vista como um mercado – um «mercado religioso» –, dirigido por «administradores» que estão à espera de «clientes».
7. Como nota o Santo Padre, «uma Igreja que se reduz ao administrativo é uma Igreja que, a longo prazo, adoece». A Igreja tem de ir ao encontro das pessoas até para que as pessoas voltem a vir ao encontro da Igreja.
Caso contrário, as igrejas correm o sério perigo de se tornarem locais de turismo em vez de se afirmarem como lugares de oração.
8. Se, como alerta Medard Kehl, compararmos o número de fiéis que participam na Missa com o número de turistas que visitam as igrejas, arriscamo-nos a fazer da Igreja (sobretudo na Europa) um mero, ainda que precioso, monumento.
9. É bom que as portas das igrejas nunca se fechem a quem nelas pretende entrar.
Mas o fundamental é que a porta da Igreja esteja sempre aberta para que dela possa sair um sopro de esperança para a humanidade.
10. É preciso que a vida esteja na Igreja. E é urgente que a Igreja esteja na vida.
É para isso que ela existe. Só para isso. Sempre para isso!




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