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Fazer o que ainda não foi feito

O povo português vai-se desiludindo, quanto à substância que irradia de cada discurso proferido com, mais ou menos, solenidade. E desde as instâncias europeias ao Presidente da República, passando pelo Governo e oposição, de todos se têm ouvido tímidas e polémicas dissertações sobre as reformas urgentes na CE e essenciais para o país, a fim de que proporcionem o investimento, crescimento económico e emprego. Assim, tudo é dito sem que se materializem tais pressupostos, numa longa conversa que vai entretendo os cidadãos, em vez de serem metidas mãos à obra para o que realmente urge empreender.

Narciso Mendes
14 Mai 2013

Com o país a dissertar sobre o sexo dos anjos, em que da esquerda não se vê soprar bom vento nem da direita bom casamento, para trabalhar rumo ao futuro, em que uns querem “dizer sim, mas dizem não” e com tanto para ser feito, vão-se desperdiçando oportunidades supremas de se agarrar nesta terra e guindá-la ao patamar que merece. É que a oratória é de tal ordem, que vai já sendo proferida ao sabor das circunstâncias. E os que, ontem, gritavam sim à austeridade, hoje, mediante os resultados adversos, já se inclinam para que baste, numa mudança de prelecção, outrora alusiva aos cortes, num puro oportunismo político. E nós que“fomos tão longe a vida toda”, eis–nos estagnados à espera de um sopro de alívio financeiro. 
Portugal, que é “um mundo com mundos por dentro” a necessitarem que se lhes dê atenção e desenvolvimento, necessita de um impulso adequado à globalização em curso, em que tudo vai mudando vertiginosamente. Ora, se partirmos do pressuposto de que tudo funcionará nos moldes tradicionais, sem atendermos aos novos paradigmas de emprego e de padrões de consumo, escusado será dizer que tudo continuará como dantes.
Os nossos desempregados merecem ouvir dos nossos responsáveis palavras de alento e esperança.Porém, o que até agora têm sentido é sinais de demagogia numa ladainha sem sentido algum, sem que sejam ressarcidos da sua dignidade que é o trabalho. Por isso, necessário se torna que Governo, centrais sindicais e agentes económicos virem o disco da empregabilidade, pensem em novas fórmulas e indiquem qual “a estrada”. Ou então os sindicatos, representantes legítimos dos trabalhadores, sem um sector privado pujante empregador, ainda se arriscarão a ficar agarrados às greves só no público, em que o patrão é o Estado, ou sejam os nossos impostos.
Agora que Portugal melhorou a sua performance com a ida aos mercados, urge, nesta era da impressão tridimensional, que desempregará muita gente num futuro próximo, fazer render as potencialidades que o país tem. Para isso, há muito para ser feito a nível do turismo apoiando, dando forma e conteúdo à ideia de que muito temos para oferecer em termos de monumentalidade, beleza natural, gastronomia e não só. Desta forma, pode-
ríamos ver duplicada a nossa oferta hoteleira e de transportes, criando emprego em todas as suas áreas bastando que, para isso, se promova a marca” Lusa”, sobretudo na Ásia emergente. (ex: Maiorca é visitada, por 25 milhões de almas, ano).
Com o mesmo sentido, deve ser interiorizada a necessária concentração na produção de qualidade, com inovação e arrojo em produtos inigualáveis e de grande aceitabilidade. Batalhar sobre o que já se provou que não deu e fechou, é diminuir horizontes de crescimento e emprego, como uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma. Por mais austeridade e cortes que se façam, sem serem acompanhados de uma nova e profícua forma de pôr o país a produzir, em todas as suas vertentes, nunca sairemos do marasmo das recessões económicas.
Então, em vez de um Portugal lamúrias, resignado e parte dele inactivo, há que encetar uma revolução, não dos cravos, mas da libertação dos preconceitos que nos prendem ao passado e nos arrastam entre o défice e a dívida, para se “fazer o que ainda no foi feito”, assim na terra como no mar, ainda por explorar, “porque amanhã é sempre tarde demais”.




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