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Roubo de catedral

Carregue-lhes, senhor primeiro-ministro, bata forte nos aposentados e pensionistas porque eles não votam. Ou votam? Eles votam e são muitos, são três milhões aproximadamente, e estão com vontade de votar num partido que tenha mais sensibilidade para com os reformados e pensionistas deste país. Todos são eleitores. Somos uma sociedade que teima em viver e também teima em não se esquecer de quem os não considera como portugueses. Julgo que vossa excelência, e quem o aconselha, não fez uma simples continha de somar, as que se aprendiam na escola do ensino primário, para verificar sem gráfico de barras a cores vistosas que este grupo etário é enorme, que esta gente mais velha está disposta a votar para fazer lembrar que ainda são gente.

Paulo Fafe
13 Mai 2013

Julga que exagero? Julga que pode continuar a fechar-lhes a porta da dignidade, sem receber troco? Talvez se engane quando um dia, depois de deixar de ser primeiro-ministro e o seu partido apanhar a maior derrota eleitoral de sempre, talvez faça exame de consciência e diga, não contava com o voto de tantos velhos revoltados! O PSD fecha-lhe uma porta, o CDS abre a outra e neste jogo de portas a do Paulo é que mais se abre para a dignidade. Gratidão lhe devemos. Como vê, são velhos mas não são senis, são portugueses que já deram a sua quota parte do seu esforço físico e mental “a bem da nação”; são os mesmos a que o seu governo vai despojando de um fim de vida sereno e digno. Não há dinheiro que chegue? Pois então vão buscá-lo a todos por igual. Preferimos ser pobres a ser discriminados. A sua política mais parece uma perseguição esquizofrénica aos aposentados e pensionistas! Que mal lhes fizeram? Donde vem este trauma mal curado? Estes velhos de hoje confiavam na honradez dos governantes, fossem eles quais fossem, porque sempre cuidaram que roubar-lhes a reforma era roubo de catedral. Como sabe há países onde a aposentação é considerada uma propriedade apenas administrada pelo governo. Isto é, o dinheiro é deles e não do governo. E os senhores sem pejo nem vergonha roubam-lhes a propriedade e tiram-lhe os últimos anos de sossego, tudo por uma ideologia política que tem no seu entendimento um economicismo de máquina de calcular em vez de uma economia de coração humanista. Sempre que o primeiro-ministro de Portugal fala, há aposentados e pensionistas que perdem algo. E quantas destas reformas não são o sustento de filhos que não têm emprego, de netos a quem pagam propinas numa educação “tendencialmente gratuita”, são “cantina” dos pais, ambos desempregados e banco que paga prestações de casas em risco de penhora ou devolução ao banco. São reformas divididas por muitos. Sem trabalho todos somos dependentes. Cada euro tirado à reforma é fatia que emagrece. A reforma de hoje dos pais é o subsídio de muitos filhos. Os que ganham pouco já só jogam sueca pelos bancos das avenidas. Os outros, as reformas e pensões médias, suportam o desemprego de familiares; se formos a ver bem já não se sabe quem está melhor de vida, se os que têm uma reforma pequena só para si ou os que têm uma reforma maior e dividem-na por filhos, noras e netos. Mas os senhores não querem saber disto para nada: olham para os ilíquidos como se fossem líquidos e de cálculo em cálculo cortam a direito semeando a pobreza com uma frieza e insensibilidade que dá para querer bem ao arame farpado. À última hora diz-se que o governo recuou na taxa sobre os reformados. Se foi brincadeira, foi de mau gosto, se foi balão de ensaio foi mal lançado, se foi jogada política foi ridiculamente romanesca. Seja como for os aposentados são gatos escaldados com medo da água fria.




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