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Analisemos bem as atuações dos nossos políticos

A política, segundo definição dos nossos dicionários e de tantas outras fontes, é uma ciência ou arte de governar que abarca formas e diretrizes da ação de um governo, relações de um Estado com outro e muito mais, mas também é a “habilidade de lidar com qualquer assunto de forma a se obter o que se deseja, estratégia, tática, astúcia, esperteza…”

Salvador de Sousa
11 Mai 2013

Precisamos de analisar bem todas as palavras que saem da boca de um “verdadeiro” político, quer esteja no governo, quer esteja na oposição ou desempenhe qualquer outro cargo. Todos trabalham com uma finalidade e temos que saber interpretar, fazendo a conexão entre a sua posição política, os seus intentos e tudo aquilo que teorizam. Uma coisa é a verdade factual e outra coisa é a verdade que se quer impor através de idealismos fabricados num quadro completamente desligado da realidade, muitas vezes de acordo com aquilo que se pretende alcançar.
O nosso país atravessa um perío-do, assim como outros, em que a política como astúcia ou esperteza deve ser posta de lado, falando menos e acertando mais. Deixemos aqueles objetivos estratégicos e “habilidosos” a fim de trilharmos caminhos que nos conduzam a metas que invertam esta frágil situação económica. Por exemplo, que resultado havia agora com eleições antecipadas? O regresso aos mercados não é já um sinal positivo?
Todos sabemos que a crise já nos afeta há muito tempo e qualquer partido no governo ou na oposição deve atuar em conformidade, colaborando na resolução dos problemas e não passar o tempo a prometer tudo e mais alguma coisa, sabendo, de antemão, que o país não tem condições para tais promessas. Entendo que a credibilidade de uma força política adquire-se com a coerência entre aquilo que defende na oposição e o que faz quando governa. Promete–se o impossível, critica-se o que, por vezes, está bem, mas quando se governa a atuação é totalmente diferente, pois as responsabilidades são outras.
Não quero com isto defender este ou aquele partido, mas sim revelar aquilo que tenho observado, neste nosso país democrático, respeitante a tudo aquilo que se diz e não se faz na ânsia de se conquistar o poder. Quem não se lembra do passado recente em que o país mergulhou numa crise sem precedentes? Quem não se lembra das medidas de austeridade com baixa de salários, aumento de impostos, subida do desemprego e tantas outras? Quem não se lembra do país, apesar dessas medidas, com desequilíbrios económicos cada vez maiores? E agora na oposição? Quem não se lembra das críticas e promessas dos partidos atualmente no governo? Quem sempre suportou os sacrifícios? Quando é que os professores e toda a função pública começaram a ficar descontentes com medidas, muitas delas economicistas e que têm levado à rua milhares de docentes e tantos outros, alguns deles aposentando-se com perdas incalculáveis nas suas reformas?
Este governo, já disse num artigo anterior, herdou um país praticamente na bancarrota e não se podem fazer “omeletas sem ovos”, mas continua a massacrar sempre os mesmos e todos nós sabemos que há setores do Estado em que os desperdícios e luxos são em demasia e que se devem combater. As medidas tomadas ultimamente, algumas delas, vão um pouco de encontro a tudo isso, mas outras que foram propostas, baixando o rendimento daqueles que já não têm mais para dar, são completamente utópicas e ruinosas para a nossa economia.
Por que razão houve tanta polémica em relação ao ministro Paulo Portas, por ter sido contra a taxa de sustentabilidade da Segurança Social para os pensionistas? Afinal o que pretendiam que ele defendesse, mais descida das pensões? Passos Coelho apresentou medidas para serem analisadas e negociadas, esperando alternativas, caso não concordassem, e o Dr. Paulo Portas cumpriu o seu dever cívico de contestar e dar a conhecer o seu pensamento, apesar de fazer parte do Governo. O que diriam se o governante deixasse passar tal desgraça? Assim como seria completamente aberrante e, até, inconstitucional ir mexer no cálculo das pensões já atribuídas. Só o facto de pensarem numa medida destas já é muito grave! Cortem onde devem cortar!
É tempo de sabermos analisar todos esses jogos e julgarmos, sentenciando, na hora da verdade, todas as atuações dos nossos políticos e não nos ludibriemos com promessas vãs.




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