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Santa Catarina de Sena e os Papas

Costumo interessar-me por conhecer algo da biografia de cada um dos santos que vão aparecendo ao longo do ano litúrgico, tentando descobrir as linhas de força da sua santidade, como estímulo pessoal e meio de divulgação, mesmo sucinto, no exercício do meu ministério. Uma dessas personagens que deixou após si um exemplo de perfeição foi Santa Catarina de Sena. Tenho presente o livro “Santas e Beatas” do Papa emérito Bento XVI, com o subtítulo “Figuras femininas da Idade Média”.

Manuel Fonseca
10 Mai 2013

Santa Catarina foi uma santa de origem humilde e de família numerosa italiana, mas que cedo se consagrou a Deus para uma vivência profunda e permanente. E, apesar duma curta existência de 33 anos, exerceu um apostolado muito variado, focado nos grandes problemas do seu tempo, nos aspetos sociais e eclesiásticos. Pertencendo à Ordem Terceira Dominicana, saiu do seu meio ambiente bastantes vezes para ajudar a solucionar problemas, sobretudo numa visão espiritual.
A seu respeito, escreve Bento XVI: “Quando a fama da sua santidade se difundiu, foi protagonista de uma intensa atividade espiritual em relação a todas as categorias de pessoas: nobres e homens políticos, artistas e pessoas do povo, pessoas consagradas, eclesiásticos, inclusive o Papa Gregório XI, que nesse tempo residia em Avinhão e que Catarina exortou enérgica e eficazmente a regressar a Roma. Viajou muito para solicitar a reforma interior da igreja e para favorecer a paz entre os Estados”.
Um dos dados biográficos de muito relevo foi a sua ação na solução do chamado Cisma do Ocidente. Há 70 anos que os Papas residiam na cidade de Avinhão, sul de França, o que originava uma grande confusão na vida eclesiástica em geral. A Santa Sé possuía os chamados Estados Pontifícios, que se encontravam em grande convulsão e desordem; os edifícios papais e as igrejas ligadas às celebrações pontifícias encontravam-se abandonadas e em ruína. Era urgente que o Papa regressasse a Roma. Santa Catarina de Sena escreveu ao Papa Gregório XI, dirigindo-
-lhe estas tocantes palavras: “Em nome de Jesus Cristo crucificado e da doce Virgem Maria, Reverendíssimo e diletíssimo pai em Cristo Jesus: a vossa indigna e pobre filha Catarina, serva e escrava dos servos de Jesus Cristo no seu precioso sangue, vos escreve com desejo de vos ver como árvore cheia de doces e suaves frutos plantada em terra frutífera. Oh paizinho meu (babbo mio), doce Cristo na terra!… Peço-vos que procedais virilmente, seguindo a Cristo como vigário seu”*.
Como o Papa parecia insensível aos rogos que lhe eram feitos, não só por ela, mas também por Santa Brígida da Suécia, por Petrarca e outros, resolveu a Santa ir pessoalmente encontrar-se com ele. E desta vez resultou. Gregório XI regressou a Roma, onde foi recebido triunfalmente.
Depois da sua morte, o problema reacendeu-se com novo cisma, devido sobretudo à ingerência da política francesa, mas, passados 39 anos, a paz e a unidade da igreja regressaram definitivamente.
O carisma de Santa Catarina foi reconhecido após a sua morte, sobretudo nos tempos modernos, tendo sido proclamada doutora da Santa Igreja pelo Papa Paulo VI, em 1970; copadroeira de Roma pelo
beato Pio IX; padroeira da Itália pelo Papa Pio XII e copadroeira da europa pelo Papa João Paulo II.
A doutrina desta santa encontra-se nas obras que deixou: O Diálogo da Divina providência, Epistolário e Orações (coletânea).
* “História dos Papas”, de Heitor Morais, s.j.




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