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Estupefação

Dava conta há dias um jornal diário que o competente e garboso Estado Português tinha arrecadado no ano anterior cerca de quarenta milhões de euros em multas dos veículos automóveis. Tanto dinheiro arrecadado, talvez servisse para criar postos de trabalho uma vez que foi dinheiro fácil, e fruto de perspicácias ou de armadilhas da lei, em muitos casos, como bem se sabe.

Artur Soares
10 Mai 2013

Conhecem-se os sinais proibitivos de andar a mais de 50 km à hora, em retas que descem; os sinais proibitivos de estacionamento, onde quase é obrigatório estacionar; os sinais de sentido obrigatório injustificáveis, que obrigam a dar uma volta por causa de escassos metros que podiam beneficiar o tempo e o consumo de materiais do veículo e enfim, um chorrilho de pessegadas que somente visam multar aquele que tem de conduzir.
Mas de tudo que é mais aberrante, escandaloso até, é poder-se andar numa reta a 80 ou a 100 à hora e encontrar-se um sinal a proibir o trânsito a mais de 50! Não se visa a organização e a segurança de tráfego, mas sim a usurpação da multa.
Entendo desse modo, que os responsáveis das leis do trânsito, violam a lei natural das coisas, violam a normalidade e a razão, são prepotentes e tal ação não passa de gases estomacais da sua jactância.
Perante tais verdades, o povo espolinha-se nas mesas do café ou em casa, aceita encolhido o saque, trava a sua arte de pensar, entra em estupefação e deixa que lhe obscureçam a inteligência, mesmo se estiver em frente ao agente da autoridade que, obcecado espera as presas.
Neste nosso país, praticamente só existem presas. Os caçadores proliferam de dia e de noite em qualquer rua, praça ou beco.
Analise-se por exemplo as forças que vigiam os condutores de veí-
culos nesta cidade de Braga e seus arredores. À parte os militares que nela existem, que têm como missão defender-nos de invasões militares, portanto aptos para matar ou morrer pela pátria, temos a Guarda Republicana que atua escondida nas lombas ou nas curvas que possam surpreender, já com a máquina do multibanco na mão para receberem; temos a Polícia de segurança Pública que, tantas vezes, com falta de profissionalismo e delicadeza, dizem: “retire daí imediatamente a viatura!”. E não perguntam se há uma razão forte para se estar estacionado; temos a polícia municipal que, dando permanentemente testemunhos de falta de civismo, de condução perigosa que fazem e de nunca utilizarem piscas-piscas quando mudam de direção, existem simplesmente para serem reboqueiros e nunca estão de serviço à noite para desbloquearem um acesso para entrarmos nas nossas garagens; finalmente, nesta pobre e muda cidade, temos uma outra força que é verdadeiramente predadora, fita adesiva e de atuação repugnante, sem pudor, vergonhosa: Os Esse!
Abordam a viatura, inclinam-se por sobre o tabliê, roçam-se na viatura e se não tem o talão do estacionamento pago, saca da máquina, aponta a matrícula e sem ter a autorização do dono do veículo para se roçar e aproximar de propriedade alheia, aponta-o como fora da lei.
Ninguém destas forças apontadas que vigiam e perseguem os veículos automóveis se importa com a real segurança da viatura no alcatrão ou dos peões que possam ser atropelados.
Esta gente – que são mais que ratos nos esgotos – e salvo as devidas exceções, quanto a delicadeza, respeito pelos outros, justos na sociedade que deviam servir, não passam de robôs gelados que desconhecem o que fazem e a quem servem.
E nosso Senhor que disse, após ter criado os céus e a terra, “enchei e dominai a terra”…, esta gente entende que a terra, o alcatrão ou os paralelos lhes pertence e vendem a terra – o espaço, aos condutores de veículos – em vez de dominar a terra e colocá-la ao serviço de todos como Deus explicou. 
Neste meu país e nesta minha cidade de Braga, vai sendo difícil viver.
Em qualquer canto se veem oportunistas, gente que procura dinheiro fácil sem se importar da pobreza que se esconde e, uns tantos, sem pejo, são predadores de negócios estranhos, porque a qualquer hora do dia ou em qualquer mês do ano, vendem abacaxi por ananás e, gato por lebre, que é bem pior.

“O que nós somos é o presente de Deus a nós. No que nos tornamos é o nosso presente a Deus”. (E. Powell).




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