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Comunicação Social

1 Celebra-se domingo mais um Dia Mundial das Comunicações Sociais. Certamente que se vai falar da mensagem do Papa e apelar aos fiéis a que contribuam monetariamente para as despesas da Igreja neste setor.Penso que se poderá e deverá ir mais longe. O Dia Mundial poderá dar ensejo a uma cuidada reflexão sobre qual é a missão da Igreja nesta área e como está a ser cumprida. A começar pela educação das pessoas para o correto uso dos Meios de Comunicação Social e pelas escolhas a fazer.

Silva Araújo
9 Mai 2013

Reflexão sobre a forma como a Igreja comunica através da palavra escrita, da palavra falada, do som e da imagem. Reflexão sobre a forma como a Igreja cumpre o dever de informar e de consciencializar as pessoas para o dever de se informarem e para o direito de serem informadas.
 
2. Também no setor das Comunicações Sociais se tem registado uma grande evolução. Passou–se, como dizem os entendidos, da Galáxia Gutenberg para a Galáxia Marconi e desta, para a Galáxia Digital. São cada vez mais diversificados os Meios de Comunicação Social – multiplicaram-se, para usar uma linguagem mais eclesial, os púlpitos – todos eles merecedores da nossa atenção.
A mensagem do Papa centra-se no tema das redes sociais. Responsáveis há que dão a impressão de quase só verem a Internet e as formas de comunicação a que deu origem.
É um facto que temos o dever de ser homens de hoje. De nos situarmos neste mundo. Estou, todavia, persuadido de que a imprensa escrita continua a merecer atenção. A ela me mantenho apegado, não por uma questão de saudosismo e por nela ter sido criado, nas porque lhe reconheço virtualidades inegáveis.
Há que acompanhar o progresso e tirar proveito de todas as maravilhas que o génio humano vai produzindo. Mas a atenção a prestar às modernas formas de comunicar não justifica se ponham de lado ou subalternizem formas tradicionais de transmitir e de receber mensagens. Os novos púlpitos não devem ser motivo para que noutros cresçam as teias de aranha.
 
3. A Igreja alerta para o contributo que os vários Meios de Comunicação Social devem dar à causa da evangelização. Tem defendido o direito de os poder usar e, se for aconselhável, possuir.
A reivindicação destes direitos impõe uma reflexão sobre o modo como vêm sendo exercidos. Sobre a atenção prestada à formação de comunicadores. Sobre o apoio dado aos profissionais – a todos, não apenas aos católicos – que na Comunicação Social têm o seu posto de trabalho. E quando se trata de Meios de Comunicação propriedade da Igreja, que se veja ao serviço de quem e do que estão e ao serviço de quem e do que devem estar.
 
4. É verdade que, olhando para trás, muito se fez neste setor de atividade da Igreja, embora não deixe de pensar com mágoa no desaparecimento de vários títulos na imprensa escrita. É inegável a obra feita. Mas isto não deve ser motivo para que se descanse sobre o produzido como se nada mais houvesse a fazer. Que há. E muito. A começar por uma melhor coordenação e por um melhor aproveitamento do que existe. E bom seria se ultrapassasse o trauma da falhada experiência do «Nova Terra».
 
5. Às vezes a Igreja, que também sou, lamenta-se, e com razão, da forma como a sua imagem é apresentada por certa Comunicação Social, mais sedenta de sensacionalismo e de escândalo do que preocupada com a informação que deve transmitir. Lamenta-se do desconhecimento que certos comunicadores mostram relativamente ao que a Igreja ensina e ao que a Igreja é. Da falta de espaço para a transmissão das suas mensagens.
Que poderá fazer a Igreja para que toda a Comunicação Social a trate como realmente deve ser tratada?
Este, um grande problema. E, ao contrário do que alguns pensam, a solução não passa só por uma revisão da forma como a Igreja comunica, quando, onde e como. Na sociedade laicizada em que vivemos há toda uma mentalidade que precisa de ser alterada, mas não está nas mãos da Igreja fazê-lo.




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