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A lei da responsabilidade(I)

O homem é totalmente responsável pela sua natureza e pelas suas opções” – Jean-Paul Sarte.A vida é a aceitação de responsabilidades ou a fuga a essas mesmas responsabilidades; é uma questão de cada um cumprir ou de se eximir no que respeita à vertente das obrigações. A escolha está sempre diante de nós e, pela maneira como fizermos as nossas opções, podemos ser julgados. É o paradoxo da liberdade humana que é o grande dom e a mais relevante característica da natureza humana.

Artur Gonçalves Fernandes
9 Mai 2013

Viemos ao mundo para levar a cabo a nossa obrigação. Compete-nos descobrir no que ela consiste e cumpri-la. Goethe escreveu: “Cumpre a tua obrigação. Qual é ela? A surgida em cada dia”. A nossa maior obrigação é conhecer e seguir as leis naturais da vida, levarmos o nosso aperfeiçoamento o mais longe possível e depois escolher e lutar para manter o direito, o bem, a honestidade, a justiça, a solidariedade, a caridade, a responsabilidade e a verticalidade de carácter. Em síntese, temos a responsabilidade de cuidar, em primeiro lugar, de nós próprios. Ao fazê-lo, vamos libertar todos os outros da obrigação de tomarem conta de nós, podendo então cuidar deles mesmos e de quem mais precisar em cada momento. Se cada um tomar conta de si, todos podem ser produtivos, saudáveis e capazes de prover satisfatoriamente as suas necessidades. Albert Schweitzer escreveu: “Que o homem deixe de atribuir os seus problemas ao meio ambiente e reaprenda a exercer a sua vontade – a sua responsabilidade pessoal no domínio da fé e da moral.” Quem viola a lei é responsável pelos seus próprios atos e não a sociedade, embora possamos admitir que haja certa influência da cultura dominante. No entanto, o homem, ser livre e racional, pode aceitar ou rejeitar qualquer norma social que lhe fira a sua consciência adequadamente formada. Cada pessoa é sempre responsável pela sua própria vida. Neste mistério da existência humana, a natureza deu a cada criatura o poder de resolver os seus próprios problemas dentro das contingências circunstanciais. A evolução da natureza está planeada, portanto, com base nos princípios éticos de exigir o uso racional dos próprios recursos, o fortalecimento pelo progresso pessoal, pela autodisciplina e pela dedicação a tudo o que a pessoa tem para solidificação da sua consciência moral, do seu carácter e, indiretamente, para a melhoria da comunidade. Todos temos a responsabilidade de melhorar a nossa vida ou de tornar luminoso o cantinho por nós ocupado. Se desejamos aperfeiçoar as condições exteriores, temos de nos melhorar internamente a nós próprios. Se desejamos uma sociedade com regras corretas, ordem social, honestidade, correção e amizade autêntica, temos nós de começar por seguir esse caminho. Não se pode possuir carácter forte sem dar à responsabilidade pessoal o importante papel que lhe compete. A responsabilidade educa. As teorias de Freud, já ultrapassadas, levaram-nos à dependência do Estado. Temos de voltar ao nosso velho conceito de responsabilidade individual.
A grande ameaça para o futuro do nosso país e para a nossa liberdade não é uma agressão militar estrangeira, nem uma subversão interna, mas a crescente dependência do povo de um governo muito paternalista e excessivamente prepotente. Um país não pode ser mais forte que o seu povo; e a melhor maneira de lhe medir a força é ver como esse povo, na sua totalidade (governantes, gestores, autoridades e trabalhadores), aceita e respeita a responsabilidade. Desconfiemos de qualquer teoria governamental, credo religioso, doutrina ou filosofia de vida que torna o povo incapaz de ação e pensamento independentes. O Estado tem que respeitar o povo e não pode explorá-lo com cargas fiscais excessivas e desumanas.




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