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Porque tanto caem os governos?

Somos dos regimes democráticos europeus cujos governos mais caem. E a ponto de a quase totalidade deles não conseguir cumprir mais do que dois anos de mandato. Vejamos. Nestes 39 anos que levamos já de vida democrática, os governos que nos governaram, em termos médios estatísticos, ficam-se concretamente pelos 23,4 meses de exercício governativo. E isto não contando com os sete, repito sete, governos provisórios que nos governaram de 1974 a 1976, momento em que se iniciou o período dos governos constitucionais com Mário Soares como primeiro-ministro.

Dinis Salgado
8 Mai 2013

Ora, se bem nos lembramos, nos referidos trinta e nove anos, os governos que  fugiram à regra foram os de Cavaco Silva (10 anos), de António Guterres (7 anos) e de José Sócrates (6 anos), uns com maioria absoluta e outros minoritários. O atual governo de Passos Coelho, resultante da coligação do PSD com o CDS-PP, vai no 2.º ano (2011-2013) de mandato. E a pergunta é óbvia: será que se aguenta ou cai antes de cumprir a legislatura?
Frequentemente, quer no Parlamento, quer em manifestações de rua é exigida, pelos partidos da oposição (PS, PCP e BE) e pelas centrais sindicais, respetivamente, a queda do governo. Porém a sua queda só depende, obviamente, da vontade e ação de três entidades: presidente da República, o próprio primeiro-
-ministro e o parceiro da coligação (CDS-PP).
Pois bem. No seu discurso de 25 de Abril, o presidente da República deixou bem explícito o seu apelo ao consenso. Mormente entre os parceiros da coligação e o primeiro-ministro, frequentemente manifesta a sua enorme resiliência em cumprir o mandato para que foi eleito pelo povo. Só nos resta, assim, o CDS-PP. E, aqui, não parecem tão claras e perentórias as intenções de consenso. Aliás,
a acontecer o abandono da coligação, não seria a primeira vez que o CDS-PP roía a corda a um parceiro de governo.
Mas, afinal, porque caem tanto os governos? A meu ver, por quatro razões fundamentais: uma evidente falta de cultura democrática, o culto do partidarismo, uma permanente ambição pela conquista e manutenção do poder e, finalmente, os frequentes quiproquós resultantes do nosso sistema semipresidencialista de governação.
Por isso, é urgente rever posições, reformular estratégias, repensar atuações e mudar de rumo por parte dos atores e decisores políticos. Porque o presente assim o reclama e o futuro não espera. E o povo cansado está de praguejar:
– Porra, vai cá uma nortada!
Então, até de hoje a oito.




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