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Até quando?

Estive fora uma semana. Cheguei a tempo de perceber que o desnorte a que me consegui esquivar enquanto deambulava por outras paragens assentou praça no meu país e daqui não vai arredar. A não ser a toque de caixa. Ou mais ainda… Acabara o Primeiro-Ministro (48h antes) de anunciar, com a sua cara de pau – descarado com ar sério – a puxar para cara de caso – impostor com ar preocupado – no tom o mais coloquial que soube e pôde, um novo pacote de cortes, incluindo mais uma dentada no rendimento de reformados e pensionistas, aparece Paulo Portas a denegar, formal e grave, cara de caso bem afivelada, no tom o mais solene que soube – e ele sabe! – e pôde, a dentada no rendimento de reformados e pensionistas!!!???? Estão doidinhos de vez! E o país está à mercê disto!!

Maria Helena Magalhães
8 Mai 2013

O que esta representação tragicómica significa facilmente adivinhamos, a real extensão dos estragos não se adivinha, teme-se porém. O desrespeito pelo sofrimento das pessoas, a charada da inevitável extensão dos sacrifícios que afinal não só se afigura evitável como desejável, o supremo cinismo da evocada rejeição do “cisma grisalho”, mas que insinua o estigma e ajuda a cavar uma falsa oposição de classes, já latente, o cada vez mais generalizado descontentamento popular com o desempenho dos partidos e dos políticos em geral – e todos acabam por ser medidos pela mesma bitola… –, o desespero que necessita obstinadamente de um culpado, e a democracia pode ser o bode expiatório a explorar, impune e perigosamente, e podem, imprudentemente, estar a escancarar-se portas do antigamente. E a descrença que não cessa. E o temor que não descansa.
A  Amnistia Internacional, no passado dia 5, a propósito da entrada em vigor do Protocolo (Facultativo ao Pacto Internacional) sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais, “assinala com preocupação o facto de o debate sobre a austeridade ao nível da UE não ter em conta o seu impacto sobre os direitos humanos, não obstante os Estados terem a obrigação de garantir que todos possam beneficiar de direitos económicos, sociais e culturais, sem discriminação. Tal significa que, mesmo durante uma recessão, os governos devem continuar a proteger os direitos humanos, e especialmente, os dos grupos mais vulneráveis.” Portugal é um país sob regime de austeridade, vive em recessão, tem um governo que não protege os direitos humanos, muito particularmente, os dos mais fracos.
Até quando?




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