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Isaltino e o regresso duma velha questão

1 – Presas favoritas de certos “media”). Certos meios de comunicação social comprazem-se em seguir (ou até, atiçar) alguns atavismos sectoriais de partes da nação portuguesa, quando passam a vida a perseguir certos personagens públicos, independentemente da muita ou pouca razão que lhes possa assistir em tal perseguição. Essa antipatia soa às vezes até a mal encoberto “racismo” ou tribalismo. Tudo isto porque há uma certa tendência, inconsciente e perfeitamente injustificada, para, p. ex., os magros terem inveja dos gordos (e vice-versa), os morenos dos claros (idem), os baixos dos altos (idem), os bem encarados dos mal encarados (idem), os ricos dos pobres (idem), os cultos dos incultos (idem), os mal nascidos dos bem nascidos (idem); e por aí fora.

Eduardo Tomás Alves
7 Mai 2013

Se houve motivo para alguns “media” no passado não aliviarem a mira sobre figuras públicas como Rosa Coutinho, Vale e Azevedo, Álvaro Cunhal, Álvaro Amaro, Durão Barroso, Cunha Rodrigues, Jorge Sampaio, Sousa Cintra, José Sócrates, Duarte Lima, Correia de Campos, Lurdes Rodrigues (ou até o próprio Mário Soares, em fases mais recua-das); já o mesmo não tem grande justificação quanto à sanha de outros “media”, que visaram Sá Carneiro, Portas, M. Alegre, Santana Lopes, Valentim Loureiro, Jardim ou Cavaco Silva.
2 – Bode expiatório de outros autarcas). Parece haver em Portugal um sector importante da população (cristão-novo, quiçá) que se compraz em atacar qualquer político mais gordo e luzidio que apareça na ribalta. Vítimas deste atavismo têm sido, a meu ver e sem qualquer razão de tomo, Alberto João Jardim, Valentim Loureiro ou Macário Correia. Ou já com alguma razão, Vasco Lourenço, Melo Antunes, Vítor Constâncio e agora, Isaltino Morais. Aparte o atavismo que aqui tenho realçado, existe porém e decerto, o papel de “bodes expiatórios” que aquelas vítimas , sem querer, representam em relação a muitos outros casos, apenas falados ou suspeitados, de corrupção de políticos mais discretos e menos “vistosos”. E estou agora a pensar na vasta classe dos autarcas. A qual aliás se vai tornar (em geral, é claro) cada vez mais impopular, uma vez que é a eles que agora pagamos os nossos hiper-inflaccionados IMI’s. Além disso, eles podem desvalorizar, sem qualquer indemnização para nós, qualquer terreno nosso que lhes apeteça, em sede de Plano Director Municipal (PDM). Ou podem expropriá-lo por 3 vinténs. Deve ser nisto que reside a tal “liberdade”, que não havia no tempo de Salazar… A dos outros, claro.
3 – Não é por causa de Isaltino que tivemos de pedir o Resgate…). Se temos tanta sanha contra os pecadilhos de Isaltino Morais (que aos portugueses em geral nada afectam), por que não haveremos de ter igual zelo para chamar a tribunal os principais políticos do anterior governo PS que nos “mandaram para o charco”, visto que conseguiram duplicar em apenas 6 anos a nossa já antes enorme, Dívida Pública? Para mais, com projectos caríssimos e de utilidade mais que duvidosa (auto-estradas, barragens, eólicas, parque escolar). Ao mesmo tempo que fecharam, lá onde elas eram mais precisas, as escolas, maternidades, centros de saúde, esquadras, postos de correio e tribunais. Obrigando também a que as tão necessárias SCUT passassem a ser pagas. Em vez de Isaltino, quem devia, penso eu e muita gente, andar pelos tribunais eram Sócrates e certos banqueiros e empreiteiros-comendadores, que da sua “bela governação” obviamente tiraram grande benefício.
4 – Ironias). O pres. da câmara de Oeiras é nascido na aldeia de S. Salvador (Mirandela), que os jocosos nativos locais mais de esquerda, costumam chamar de “São Salvados”. Mas é terra de boa gente. E esta ironia deles é tão grande, quanto a de a mãe do dr. Salazar se ter mesmo chamado profeticamente Maria do Resgate. Ou a de que Isaltino seja perseguido por ter dinheiro no estrangeiro, quando inúmeras famílias do nosso Interior, emigradas na França, Suíça, Alemanha, Luxemburgo, Canadá, Brasil ou Venezuela, também o têm. A lei é lei, mas convenhamos que somos uns “aprendizes de fariseu” bem fraquinhos.
5 – A grande “dúvida de base” da política portuguesa persiste). Noutro trabalho voltarei a falar deste ponto. É o seguinte. Quando eu era pequeno, nos anos do fim do anterior Regime, discutia-se muito se nós Portugueses seríamos “um Povo capaz de funcionar bem em Democracia”. Na casa grande de uma aldeia dos arredores da Feira, o meu tio-avô (e padrinho) dizia que sim. O meu avô materno dizia que não. O meu pai duvidava. E eu, em face do que já me era dado observar, achava que a pergunta nada tinha de hipócrita ou capcioso. Tem? Bom, o inofensivo Isaltino está na cadeia, o “impactante” José Sócrates dita o comentário na RTP (do PSD…). Bem diz o ministro Crato, voltemos é para a Escola Primária, reaprender a boa lógica da Tabuada…




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