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Um olhar em redor

Recordo, hoje, o discurso que o actual Presidente da República proferiu por ocasião da sua tomada de posse para exercer o seu segundo mandato de cinco anos. Claro que as palavras do Presidente foram objecto, nessa altura, das mais diversas análises, nem todas isentas como é sabido, a cargo dos comentadores do costume e nos tons habituais conforme as suas preferências, oscilando entre o alaranjado, o rosa, o vermelho e o verde. Para todos os gostos, enfim.

Joaquim Serafim Rodrigues
4 Mai 2013

O primeiro-ministro de então, José Sócrates, regente dessa enormíssima ?orquestra? governativa tal o seu número de executantes, demonstrara já, sobejamente, os seus dotes no desempenho de tão alto cargo: visionário contumaz, ignorava o país real em que vivia.
Na sequência da campanha eleitoral de natureza legislativa que teve início alguns meses depois foi eleito Pedro Passos Coelho para chefiar o novo Governo, à frente do qual se mantém ainda contra tudo e contra todos.
O país melhorou? Os resultados estão à vista: com este ou com aquele, os desconcertos prosseguem e agravaram-se até, notando-se apenas alguma diferença relativamente ao estilo do novo regente: ao visionário contumaz seguiu-se a não menos compulsiva incompetência política deste para governar.
Referindo-me ao Governo anterior chamei-lhe enormíssima orquestra, em sentido figurado, já se vê, atento o número dos seus principais intérpretes (ministros), de secretários de Estado (mais de 30!), que são os segundos solistas, faltando citar ainda outros naipes – os subsecretários e seus adjuntos, os adjuntos destes, sem esquecer as secretárias de todos eles. Por analogia, um autêntico conjunto sinfónico quando bastava, e sobrava, uma simples filarmónica. Só no Parlamento há lugar para 230 figurantes, ou seja, o máximo que a Constituição permite. Alguém pensou já em acabar com tamanha e tão dispendiosa ostentação? Duvido.
Ter-se-á, assim, uma ideia aproximada acerca da extensão das ?partituras? a serem executadas durante as sessões parlamentares, com a oposição pronta a intervir à mais pequena fífia sem, contudo, acrescentar nada de novo ou positivo. Deste modo, o país continuará sempre adiado. Por quanto tempo mais? Que faz o Presidente face a todo este desconcerto? (descalabro, queria eu dizer, mas soltou-se-me hoje inadvertidamente, esta propensão musical).
Retomando a metáfora utilizada quando falei anteriormente em orquestra: soprar num fagote não é o mesmo que tocar saxofone, tal como fazer soluçar um violino tangendo-lhe as suas quatro cordas com o respectivo arco não tem semelhança com os sons graves e profundos extraídos, por exemplo, de um contrabaixo.
Despertando agora para o concreto, isto é, encarando a realidade, teremos os homens certos nos lugares certos atenta a imagem, ou alegoria que utilizei? Não temos, de modo algum e, assim, perante os seus desconcertos, a crise já nos aflige há muito durando excepto para uns tantos que, sem o menor decoro, ostentam os seus privilégios afrontosos e ainda se queixam impunemente. Esta crise, dizia, que nos oprime e subjuga tenderá a prolongar-se indefinidamente, continuando o país adiado sine die. Os responsáveis por esta calamitosa situação, impantes, seguros de si mas, mais tarde ou mais cedo exonerados, destituídos, nem mostras darão de arrependimento pois não se trata de gente capaz disso. Se puderem e os deixarem, irão exercer outros cargos, menos visíveis mas bem remunerados por certo.
Não desconheço que terei sempre entre aqueles que porventura me lerem quem se situe no campo oposto. Estão no seu pleno direito. Mas algo não estará bem nesse caso: ou são cúmplices ou morreram há muito sem darem por isso!




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