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Viver com emoção

Quando era adolescente alguém, que infelizmente já não se encontra entre nós, disse-me: “Dos fracos não reza a história!”. Esta mensagem bate muitas vezes na minha alma (desportiva e humana) de forma a, principalmente nos momentos mais difíceis, encontrar o caminho da perseverança e das escolhas mais corretas. Mas o que é ser “fraco”? Fraco é alguém que se deixa abater, que vive na indiferença, que não encontra o seu trajeto, que não tem energia espiritual, que não enfrenta as adversidades, que vive sem paixão e emoção…

Carlos Dias
3 Mai 2013

O caráter e a emoção são pois as marcas que determinam a fraqueza ou, por oposição, a coragem de viver a vida com plenitude e em todos os seus episódios. No desporto jamais podemos retirar esses dois fatores do processo de preparação e competição.
No passado fim de semana decorreram, em Guimarães, as fases finais regionais de Desporto Escolar, e neste evento aconteceu um episódio extraordinário, e que só o desporto pode “oferecer”… Um grupo que participava nesse evento foi sujeito a uma forte emoção pela perda de pessoas intimamente a ele ligadas. Principalmente um dos elementos do grupo, pois perdeu um dos seus melhores amigos e o seu pai num espaço de tempo muito curto e na véspera do evento. Apesar dos infaustos acontecimentos, esse mesmo atleta enfrentou a emoção e foi capaz de cooperar com a sua equipa, homenageando dessa forma o amigo e o seu progenitor. Este acontecimento por si revela um forte caráter. E desde logo uma lição impressionante de amizade e compromisso.
A emoção estava à flor da pele e em muitos momentos foi notória a sua influência. Durante o jogo decisivo, muito equilibrado e competitivo, acabaria por acontecer mais uma lição extraordinária para todos nós. No momento final da decisão, uma das atletas mais cotada da equipa e da própria competição e, por sinal, a capitã, decidiu que a bola da “vitória” teria que ser jogada pelo atleta que fez a sua opção de marcar presença no evento, mesmo depois por tudo aquilo que passou. Era eventualmente lógico que ela quisesse chamar sobre si os louros da decisão vitoriosa, em face da sua significativa importância na equipa, mas foi capaz de dar esse protagonismo a alguém que, tendo em conta o estado emocional, estaria a precisar de algo positivo.
O desfecho foi emocionante e vitorioso para a equipa de boccia da Escola Secundária de Maximinos. O atleta tinha prometido “a medalha” aos entes que havia perdido na véspera da competição e no final deixou escapar um estado emocional intenso, num misto de sentimentos e orgulho. Contudo, as lições dadas pelo Ângelo Costa, pelo seu forte caráter e determinação, e pela Eunice Raimundo, pela grandeza da amizade e solidariedade, são incomensuravelmente maiores que qualquer medalha conquistada.
Há situações que só o desporto pode facultar. E como diz a canção: “As coisas vulgares que há na vida não deixam saudade, só as lembranças que doem ou fazem sorrir. São as emoções que dão vida!”. E, são essas que ficam na história…
 




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