Fotografia:
O direito à felicidade (III)

Vivemos numa época em que a tecnologia tornou a vida física muito mais fácil dando-nos comodidades e passatempos impossíveis de imaginar pelos nossos antepassados. Se não tirarmos o melhor partido da vida, a culpa é apenas nossa. Ruskin afirmou: “Todos podem usufruir, embora poucos possam realizar.” Na nossa geração, milhares de pessoas têm recebido tanto, têm-lhes feito tanto, mas perderam a faculdade de se mostrarem gratas.

Artur Gonçalves Fernandes
2 Mai 2013

No início de cada novo ano devemos refletir uns momentos e fazer um propósito consistente com o intuito de sermos mais justos e mais humanos que no ano anterior, pois já temos menos tempo à nossa frente para aumentar a nossa felicidade, por meio do aperfeiçoamento da atividade diária.
Quanto melhor for o nosso estado de saúde física e mental, maior é a nossa boa disposição e vice-versa. O fundamento de todo este bem-estar encontra-se no cumprimento do dever de cada um de nós, o qual, por si mesmo, traz consigo um estado de consciência solidamente tranquila. As pessoas bem-dispostas e alegres, regra geral, não só são as mais felizes como também as que duram mais, levando uma vida mais útil, mais equilibrada, sem excessos e sem vícios e, por isso, são melhor sucedidas. A natureza dá a todos a oportunidade para serem felizes, mas poucos sabem aproveitá-la. Não é o que temos, mas sobretudo o que sabemos apreciar que nos dá a felicidade. Muitas vezes, os períodos de crise fazem-nos refletir um pouco mais sobre o verdadeiro sentido da vida. Só é pena e lamentável que muitos gestores, governantes, e outros altos responsáveis, com as suas decisões desastrosas, ofusquem as atuações corretas e bem-intencionadas das pessoas honestas e humildes e as obriguem, injusta e imoralmente, a pagar as consequências desses desvarios ruinosos. Por que razão, não são chamados a responder criminalmente pelos seus atos levianos e mal-intencionados? Por que motivo, é que é sempre o comum dos mortais a pagar esses negócios, contratos e protocolos ruinosos praticados por tais responsáveis? Além disso, nada lhes acontecendo criminalmente, ainda são premiados e promovidos, indo ocupar outros cargos bem remunerados. Os governantes honestos têm que pensar que esses contratos, mesmo os ditos blindados, são imorais, injustos, ilegais e ofensivos da dignidade humana. Por isso mesmo, quando a outra parte contratante não quer revê-los, o Estado tem a obrigação de os dissolver ou resolver unilateralmente, deixando de pagar as usuras dos juros, em vez de penalizar os vencimentos dos trabalhadores públicos e dos pensionistas, pois, neste caso, o bem de poucos (benefício de alguns) vai prejudicar a maioria que em nada contribuiu para tais desmandos financeiros. E, em última instância, os ditos grupos económicos devem ser imediatamente nacionalizados, antes que fujam com os seus capitais para os paraísos fiscais. Ou só se nacionalizam os lixos tóxicos ou os prejuízos, como aconteceu com o BPN? Onde está a justiça e a defesa dos interesses dos mais desfavorecidos e do povo trabalhador? Basta recordar que os responsáveis têm por missão prioritária, inerente ao cargo que desempenham, defender o bem comum antes do bem particular. Já é tempo de acordar e deixarem cair compromissos comprometedores com certos grupos de interesses privados que só vêem o lucro especulativo à sua frente. Nestas classes de indivíduos não há, de certeza, a paz de consciência e, consequentemente, a verdadeira alegria e felicidade. Neles, a paz de espírito é artificial e vai evaporar-se em poucos anos. Vivemos num mundo injusto, violento, ganancioso e falso, em que uma pequena percentagem de indivíduos apenas pensa em explorar a maioria. A pessoa honesta tem uma sólida alegria interior e goza de uma felicidade que ultrapassa as demais em força mental que ninguém pode tirar nem destruir.




Notícias relacionadas


Scroll Up