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Nem tudo é crise

Entramos num táxi e, mais minuto mesmo minuto, lá vem o lamento “isto está mau…”. Ficamos “presos” numa fila dos correios ou das finanças, metemos conversa e, invariavelmente, ouve-se a voz da desgraça “isto está mau…”. Às vezes estes lamentos atingem as fronteiras do patético quando aparece um alienígena qualquer com variações como esta: “isto só lá vai com um Salazar…” ou então “ao menos, antigamente havia respeito…” Há uns anos, estas conversas de circunstância tinham como tema a meteorologia.

Manuel Cardoso
2 Mai 2013

Que saudades daqueles tempos em que qualquer desconhecido nos brindava com um belíssimo tema de conversa como este “está um dia lindo…” ou então “hoje ainda vai vir uma chuvinha…”. Hoje não, é só crises e desgraças.
Se calha tratar-se de um grupo de benfiquistas, menos mal. Pelo menos esses, queixando-se da crise como todos os outros, lá vão festejando o título com um mês de avanço, contentes e felizes com mil e uma conjugações astrais que levaram Jesus ao paraíso da bola e com ele os sete milhões que dizem ser (ou seja, quase todos nós). Se calha tratar-se de um grupo de sportinguistas, depende da “lua”; ou se refugiam na sua velha máxima “para o ano é que vai ser” ou choram baba e ranho pelas desgraças que eles próprios criaram. Mas se calha tratar-se de um grupo de bracarenses, então nem se fala. Tudo vai mal; nem a Taça da Liga mudou este estado de alma; houve ali um dia ou dois de festejos e parece que tudo se desvaneceu a seguir. E então depois daquele vendaval da praia de Cascais, com Paixão a ajudar no caminho do Calvário, a tristeza instalou-se e nem parece que ainda faltam 3 jornadas para apanhar os supersónicos castores de Paços de Ferreira.
Esta onda negativa tem escondido duas grandes vitórias que conseguimos nos últimos tempos: além da conquista da Taça da Liga, o grande “título” da equipa de António Salvador foi o atingir da meta de 30.000 associados. Penso que este acontecimento não tem sido devidamente avaliado pelos bracarenses. Ainda não é tempo de balanços, eu sei; ainda acredito que possamos festejar o apuramento para a Champions, embora para isso precisemos da ajuda de todos os santinhos. Mas, mesmo que não seja tempo de balanços, convém lembrar que este foi um dos maiores desafios da administração da SAD: alcançar os 30000 sócios. Isto faz de nós, indiscutivelmente, o quarto clube português nesse espeto. E convém lembrar que não vão muito longe os tempos em que olhávamos para os nossos vizinhos vimaranenses com alguma inveja, tal era a diferença em termos de apoio dos adeptos.
Serve tudo isto para sublinhar uma verdade muito simples: podemos não chegar ao terceiro lugar; podemos até concordar que o futebol exibido nesta época não vai deixar saudades; podemos lamentar que, frente aos três ditos grandes fizemos o miserável pecúlio de um ponto em seis jogos. Tudo isto pode ser verdade, mas também é inegável que crescemos significativamente enquanto clube e, acima de tudo, aí está o título que tanto procurámos nos últimos anos.




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