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A força da família

«A força da família em tempos de crise» é o título de uma Nota Pastoral aprovada em 11 de abril pela Conferência Episcopal Portuguesa. 
1. O documento começa por salientar o relevo social da família, mas da «família concebida a partir do compromisso definitivo entre um homem e uma mulher». De uma família que «nasce da unidade e complementaridade das dimensões masculina e feminina, que cooperam, nessa unidade e complementaridade, para a integridade da educação humana». De uma família «como um projeto duradouro, assente num compromisso de doação total e não na volatilidade dos sentimentos».

Silva Araújo
2 Mai 2013

Uma família assim é a fonte básica do capital humano, social e espiritual de uma sociedade, a que assegura o seu futuro e o seu crescimento harmonioso. Garante a renovação das gerações. É o contexto mais adequado e harmonioso para a educação das novas gerações.
 
2. Na família, lembra a Nota, respeita-se a dignidade da pessoa humana, encarada como ser único e irrepetível.
Nela não há lugar para o anonimato. A pessoa é acolhida e amada pelo que é, não pelo que faz ou pelo que produz.
Por isso, o contexto familiar é aquele em que os mais vulneráveis, incluindo os doentes e portadores de deficiência, não deixam de ser valorizados.
A família é a primeira e mais básica escola de sociabilidade. Nela se aprende a convivência com o outro e o diferente.
Na família a solidariedade não é imposta: é espontânea e calorosa. Ela é o campo privilegiado da gratuidade, do dom desinteressado, onde espontaneamente se dá sem esperar nada em troca e com a maior das alegrias.
 
3. A Nota alerta para a ajuda recebida da família na situação económica e social que se vive. Tem sido a solidariedade familiar, que se traduz em solidariedade entre gerações, em muitos casos, o primeiro e mais seguro apoio de quem se vê a braços com o desemprego, ou a queda abrupta de rendimentos, com a consequente incapacidade de fazer face a compromissos assumidos que se destinam à satisfação de necessidades familiares essenciais, como a da habitação.

4. Recorda-se ser a família alfobre de valores – a pessoa amada e acolhida como ser único e irrepetível, o amor gratuito, a solidariedade espontânea, a autoridade como serviço, o valor do doente e do idoso, a aliança da tradição e da inovação, a unidade e complementaridade das dimensões masculina e feminina, a fidelidade e o compromisso – que devem estender-se, por seu intermédio, a toda a sociedade: às empresas, aos serviços públicos, às escolas e hospitais, às comunidades eclesiais, às associações.
A família, acentua-se, é o modelo, o dever ser de qualquer convivência humana.
 
5. A Nota sublinha também a quebra da natalidade, que não deixa de se refletir na crise que vivemos. Numa sociedade em envelhecimento as despesas públicas serão cada vez maiores em pensões, saúde, etc., e as receitas cada vez menores.
Sendo Portugal um dos países com mais baixa natalidade em todo o mundo, é necessário tomar medidas para inverter a situação.
Na perspetiva da Conferência Episcopal ajudam a combater a crise da natalidade medidas fiscais que promovam o emprego juvenil ou que facilitem a conciliação entre o trabalho e a vida familiar.
Não deixa de ser importante a estabilidade do casal e da família. Há que acreditar na família como um projeto duradouro. Só nesse contexto é razoável a decisão de ter filhos. Mas vai-se generalizando a opção por formas de convivência marital precária, que recusam esse compromisso; tal como é cada vez mais frequente o recurso ao divórcio, o que a legislação vigente também não deixa de facilitar em extremo.
Importante é ainda consciencializar as pessoas do valor da vida humana, numa sociedade que está a ser marcada pela criminalidade violenta, onde se legaliza o aborto e se recorre a este como a qualquer outro método de controlo da natalidade.
 
6. A importância da família exige se invista a sério na preparação, mais remota e mais próxima, para o casamento, quando até os CPMs foram atingidos pelo simplex que os reduziu a um ou dois fins de semana.
Exige se invista cada vez mais na pastoral familiar, dando o necessário apoio a casais em crise.
Exige que a insistência na indissolubilidade do matrimónio, que a Igreja nunca deixará de proclamar, não signifique menos compreensão relativamente às vítimas de um matrimónio que fracassou.




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