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Profissão: MÃE

Embora discordando da celebração anual dos dias, nacionais e internacionais, de quase tudo (da mãe, do pai, dos avós, da mulher, dos fumadores, da preguiça…), todavia, a propósito do Dia da Mãe que no próximo Domingo se comemora, deixo, aqui, em forma e jeito de denúncia e grito, esta mera reflexão: Já venho de um tempo, longínquo e madrasto, em que não era fácil ser criança. Basta lembrar aquelas, e muitas eram, que, em pleno inverno, para a escola iam descalças, andrajosas e famintas. E, quase sempre, à sua espera tinham a sanha de um professor que, para punir os falhanços na aprendizagem, lhes flagelava as mãos, roxas de frio, com vergastadas e reguadas.

Dinis Salgado
1 Mai 2013

E, em casa, a juntar a esta saga de miséria e infortúnio, vinham os trabalhos do campo: guardar rebanhos, ordenhar vacas, acompanhar as lavradas, sachar os milhais… Trabalhos sempre feitos, ora faltando à escola, ora devassando madrugadas e crepúsculos, num desafio constante às leis da natureza humana e da condição infantil.
Felizmente os tempos mudaram e, hoje, ser criança é, na generalidade, ter proteção, carinho, conforto e amor. Numa palavra, direitos. Sobretudo, o maior dos direitos e que é o de ser feliz.
Todavia, tristemente, nem sempre esta é a realidade. E, diariamente nos chegam, através dos média, casos dramáticos de crianças abandonadas, exploradas, maltratadas, sexualmente abusadas e, até, muitas vezes, mortas pelos próprios progenitores. E isto nos próprios países defensores e promotores dos seus direitos, já que naqueles onde imperam as leis da guerra, da fome, da doença e da exploração do homem pelo homem, ser criança é pertencer, humanamente e socialmente, a um estádio de vida de conflitualidades, incongruências e, até, de elevados riscos evolutivos.
Porém, é reconfortante saber que, contra esta dramática situação, vão surgindo, cada vez mais, instituições, associações, aldeias SOS, apostadas na proteção, defesa e promoção destas crianças em risco. E num grito de alerta à consciência de governantes e sociedade em geral de que: mães precisam-se, mães sociais com acendrado espírito de sacrifício, declarado gosto em partilhar emoções e afetos, muito amor e carinho para dar e um coração enorme. Como só pode ser um coração de verdadeira mãe.
Mães precisam-se, pois, para cuidar, proteger, acarinhar e amar os filhos que as verdadeiras mães – mães biológicas – para tanto não podem ou não querem; mães com regaços e colos especiais que acalentem e embalem essas crianças que filhos são da miséria, dos maus-tratos, da exploração, dos abusos sexuais, dos dramas familiares; mães que incutam valores, atribuam responsabilidades, recuperem autoestimas, ajudem a crescer e desenvolver; mães, alfim, que sejam missionárias da alegria, da fraternidade, do afeto, da felicidade, do amor. Em suma, profissão: mãe!
Então, até de hoje a oito.




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