Fotografia:
Desajustamento das deslocações

Ao procurar a nossa autêntica natureza, encontrei-a despida, andrajosa, magoada, triste e a tremer, chorando. Tremia, porque sentia o seu resplendor e a sua beleza, eclipsados, sem que a inteligência e o amor o justificassem. Eram as sombras oriundas da espiritualidade da alma imortal; das riquezas desmedidas, apaixonantes e cativantes do meio ambiente; os maus modos da mente autoritária e enfatuada do seu valor. Tudo isto toldava o resplendor da aurora da nossa verdadeira natureza.

Benjamim Araújo
1 Mai 2013

Vou, agora, transcrever estes pequenos textos:

1 – “…?Onde é que a Igreja se deve envolver com a sua realidade? sem cair numa politização indevida? A questão? é meter-se na política que nasce dos mandamentos e do Evangelho. Denunciar atropelos aos direitos humanos, a situações de exploração ou de exclusão e carências na educação e na alimentação, não é fazer partidarismo…” (Papa Francisco)

2 – “…O espírito que questiona e duvida é o verdadeiro espírito? Há aqueles que nos dão tudo pronto a consumir, porém, se não o alcançarmos com o nosso próprio esforço, é absolutamente inútil. Um Deus, que nos entreguem assim, não vale nada? A verdade foi encontrada por Jesus Cristo, não questioneis, não tendes que vos preocupar com isso. Acreditai simplesmente em Jesus Cristo, impõem  algumas religiões? Esta crença não vale nada..” (filósofo Osho)
A primeira transcrição parece querer tirar da politização indevida a sua superação, isto é, a verdadeira realidade política, cuja fonte, sem questionamentos, sem dúvidas e sem ceticismos, está implícita nos mandamentos e no Evangelho.
A segunda transcrição parece querer evidenciar a rejeição. “A realidade veiculada só através da crença, sem questionamento, não vale nada”.
Perante estas duas posições, que caminho vou seguir, sem que os mandamentos, o Evangelho e o verdadeiro espírito sejam rejeitados? Vou seguir o caminho dialético, o da superação e globalidade, que vão ao encontro de uma nova e fecunda realidade. Qual é a nova realidade?
Da realidade existencial, em oposição à não existencial, surge, superando-as, a realidade transcendental. Esta nova realidade é a autenticidade do nosso real e concreto ser, pérola humana, saída do poder, sabedoria e amor de Deus. Deus insuflou-lhe o vento eterno da vida, autonomia, liberdade e responsabilidade. Este ser graceja, em nuvens de contentamento, por ser uno, pacífico e harmonioso; por ser rejeitador de armas bélicas e destrutivas; por ser o grande gerador da unidade, bem estar e felicidade. Deste ser, sai o reforço das duas posições: crença e investigação. Temos de nos ver, nesta realidade transcendental, como lapas e sanguessugas.
Da realidade transcendental, em oposição à realidade não transcendental, surge, superando-as, a realidade transcendente, a pessoa de Deus, uno, eterno e verdade.
No meu entender, está aqui, o desmoronamento do agnosticismo e do ateísmo. Não nos preo-cupemos, nem percamos tempo em lhes provar que Deus é e se manifesta na existência. Que deixem falar o seu concreto ser, pois a sua energia vital, autónoma e livre, projeta-nos,  a todos, com o seu caudal de amor, para Deus. O que constrange a verdadeira liberdade dos agnósticos e ateus são as suas alienações, imaturidades, incongruências, debilidade mental, emoções perturbadas, ressentimentos e uma cultura poluída.
No meu percurso, montei no ginete da dúvida, encostei-lhe, ao dorso, as esporas do questionamento, alisei-lhe as crinas  com a escova do ceticismo. As rédeas da investigação não lhe magoavam os dentes. Escarrapachado no selim da meditação, entrei a galope no planalto denominado certeza. Desmontei e, enfiado na minha camisa do silêncio, comecei a contemplar o novo homem que emergia de mim.




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