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Os donos da Palavra

O uso de palavras e frases expressando emoções, ideias, surgiu muito antes da invenção da escrita. Pensamos por palavras embora nem sempre as extrovertamos. A neurociência debate se a consciência humana terá a mesma génese. Os bebés aprendem a falar primeiro por imitação, depois associando objetos e conceitos. Mas, de um modo geral, já nascem com os instrumentos vocais adaptados à articulação da palavra. Mas, quem são os donos da palavra?

Jorge Leitão
30 Abr 2013

Não nos expressamos do mesmo modo para dar sentido a uma determinada ideia mas há quem diga palavras sem sentido ou por sofrer de alexia, não saiba o sentido delas. Outros sentem dificuldade de compreender o conteúdo verbal do que estão a ouvir (por via de acidentes vasculares cerebrais ou iliteracia). Mas, quem são os donos da palavra?
Há quem sinta cansaço em manter uma conversação, fadiga em ouvir um grupo a conversar, irritação ou frustração quando tem de falar ou quando não encontra a palavra certa.
Há quem se sinta diminuído quando os outros o interferem de forma a fazerem ajustes no seu discurso ou indignação quando as pessoas não o entendem e/ou não fazem um esforço para o compreenderem. Mas, quem são os donos da palavra?
Há quem possua disartria, distúrbio caracterizado pela incapacidade de articular as palavras de maneira correcta como consequência de lesão periférica. Há quem por isso sinta afastamento ou diminuição da vida social por parte dos amigos e familiares por se sentirem incapazes de lidar com os seus problemas de comunicação chegando, por vezes, a evitar frequentar locais públicos. Mas, quem são os donos da palavra?
Segundo Noan Chomsky, uma língua natural (língua humana ou somente língua) é qualquer linguagem desenvolvida naturalmente pelo ser humano, de forma não premeditada, como resultado da facilidade inata para a linguagem possuída pelo intelecto humano. Ao longo do percurso histórico, muitas línduas desapareceram, tal como as civilizações que as criaram. Mas, quem são os donos da palavra?
Bem, primeiramente teremos que descobrir qual será a palavra, a palavra eugénica da palavra: «Iceberg». «Iceberg»? Essa mesmo! O nome do célebre bloco de gelo que destruiu o «Titanic» E porquê? Vejamos o seu conceito: iceberg é um termo adoptado do inglês e que designa uma grande massa de gelo que se desprendeu de um glaciar ou de uma calota polar.  É constituído maioritariamente por água doce e, devido ao facto de apresentar uma massa ligeiramente menos densa do que a água salina, flutua no mar, deslocando-se por força do vento e das correntes marítimas. Geralmente apenas cerca de 10% do seu volume emerge acima da superfície, ficando os restantes 90% submersos pelas águas constituindo, por isso, um grande perigo para a navegação marítima.
Agora convido o leitor a fazer uma analogia entre as palavras «iceberg» e «poder». Já percebeu? Agora já sabe quem são os donos da palavra e como esta nos remete para os seus hipónimos como nepotismo, despotismo, corrupção, fraude, interesse, abuso, ilicitude, cinismo, dinheiro, mercantilismo, oligopolismo, rentismo, coerção, caudilhismo, demagogia, beatice, autoritarismo, efemeridade? E sabe onde eles se escondem?  Uns moram acastelados. Outros sob as dunas das faixas costeiras, ocupando as reservas naturais impunemente. Procure-os que eles estão lá.




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