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Doença descoberta é metade da cura

Uma das doenças mais temidas pela população em geral é o cancro. Isto acontece porque a grande maioria das pessoas já contactou com o profundo impacto que esta doença costuma acarretar no indivíduo e na sua família. Apesar dos progressos científicos a nível do diagnóstico e tratamento, esta doença continua a impor muito respeito, podendo a evolução ser desfavorável. A seguir às mortes por doença cardiovascular, as doenças oncológicas são a principal causa de morte em Portugal.

Vítor Cardoso
30 Abr 2013

Mas, como combater o cancro? Uma das armas mais eficazes é a prevenção. Esta ideia poderá não ser muito clara para muitas pessoas, uma vez que parece ser mais fácil notar o sucesso imediato de um tratamento do que de uma medida preventiva. O sucesso da prevenção é mais difícil de observar porque verifica-se quando precisamente “nada acontece”. 
A prevenção dos cancros passa primeiramente pela evicção dos fatores de risco e adoção de um estilo de vida saudável que inclua uma alimentação adequada e diversificada, a prática de exercício físico regular e a evicção de hábitos tabágicos e alcoólicos. Outra forma de prevenção é através da participação em programas de rastreios oncológicos. Estes procuram identificar certos tipos de cancro numa fase inicial, quando ainda não causam qualquer sintoma, proporcionando assim a possibilidade de um tratamento atempado e eficaz com o mínimo sofrimento. Os objetivos são reduzir a morbilidade e mortalidade por cancro e melhorar a qualidade de vida. Todavia, a decisão de implementar um programa de rastreio é complexa, sendo necessário pesar múltiplos fatores: científicos, sociais, políticos, económicos, etc.
Não existem rastreios para todos os cancros. Na verdade, são poucos os que reúnem as características para poderem ser rastreados. À luz do conhecimento científico atual há três tipos frequentes de cancro cujo rastreio está recomendado em Portugal e que constam no Plano Nacional de Prevenção e Controlo das Doenças Oncológicas (PNPCDO). São eles o cancro do colo do útero, da mama e do colon e reto. Patologias em que foi possível demonstrar que a realização do rastreio conduzia a uma redução das taxas de mortalidade na dos 80%, 30% e 20%, respetivamente.
Os profissionais de saúde devem fomentar a promoção da saúde e auto-responsabilizar os utentes, pois são estes os principais intervenientes. Assim, é uma mais-valia para os indivíduos se estiverem informados acerca das características destes rastreios. De acordo com as recomendações estipuladas no PNPCDO, o rastreio do cancro do colo útero faz-se mediante citologia cervico-vaginal (o chamado “Papanicolau”) nas mulheres com idades entre os 25 e os 60 anos, em intervalos de 3 anos, após dois exames anuais negativos. Este rastreio poderá ser extensível a grupos etários vizinhos. A prevenção do cancro do colo útero também se realiza através da vacina contra o vírus do papiloma humano (VPH), o causador desta doença. Esta vacina integrou recentemente o Programa Nacional de Vacinação e está recomendada a raparigas com 13 anos de idade. É importante notar que a vacinação não dispensa o rastreio (“Papanicolau”), uma vez que a vacina não fornece proteção sobre todos os tipos de VPH causadores de cancro nem sobre infeções prévias. 
O rastreio do cancro da mama realiza-se através de mamografia a cada 2 anos nas mulheres com idades entre os 50 e 69 anos. Poderão desenvolver-se programas de rastreio em idades entre os 40 – 49 anos, como tem vindo a decorrer no programa de rastreio do cancro da mama levado a cabo pela Liga Portuguesa Contra o Cancro.
O rastreio do cancro colo-rectal faz–se através da pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF) em homens e mulheres dos 50 aos 74 anos, com intervalo de rastreio de 1-2 anos; e a colonoscopia de 5 em 5 anos em indivíduos assintomáticos. Em todos os casos com PSOF positivo dever-se-á proceder à realização de colonoscopia.
Todos os exames médicos acarretam riscos e os rastreios não são exceção. É exemplo a radiação das mamografias que têm efeitos secundários potencialmente indutores de cancro. A Medicina não é uma ciência exata, mas sim uma ciência de probabilidades e infelizmente não existem meios de diagnóstico perfeitos. Numa pequena percentagem, os resultados dos testes podem ser errados, induzindo estados de ansiedade e preocupação aos pacientes, sendo muitas vezes necessário recorrer a outros exames. Por outro lado, pode ocorrer um “falso negativo”, que contribui para um atraso no diagnóstico e tratamento atempado. Todos estes riscos podem e devem ser discutidos com o seu Médico de Família. Este ajudá-lo-á a gerir da melhor maneira a abordagem aos rastreios oncológicos, atendendo às suas particularidades, como queixas, doenças, história familiar ou hábitos e estilos de vida, pesando em última análise os riscos e benefícios caso a caso.




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