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Leituras políticas… inquietadas

Por estes dias temos vivido sinais preocupantes da nossa vida político/social: avanços e recuos em matéria de constrangimento económico/financeiro; declarações e acusações de intervenientes na esfera partidária; discursos sindicalistas incendiários e quase terceiro-mundistas; comentários e comentadores que nada têm de sérios nem independentes… ideológicos. Diante deste panorama controverso ficam-nos algumas inquietantes perguntas: serão estes intérpretes capazes de cuidar do país ou estarão, antes, a destruir o que resta da nação?

A. Sílvio Couto
29 Abr 2013

Estarão preparados para as funções ou são, antes, empurrados pelas circunstâncias? Onde é que começa a responsabilidade e acaba o oportunismo? Até onde irá a capacidade de aguentar o menos mau, quando está quase tudo tão péssimo? O nível cultural – embora aparentemente instruí-do! – ainda poderá descer mais ou o fosso não tem fundo?
Mesmo que, em forma de tópicos, deixamos breves leituras políticas, isto é, de cuidado pela salvaguarda da cidade numa proposta de inquietação cívica e (até) cristã:
– Quando ouvimos e vemos Soares e Seguro – com mais de trinta anos de diferença na idade… mas não na mentalidade! – a usarem os mesmo clichés… numa narrativa dejà vu, não estaremos atrasados no conteúdo e na forma de tratarmos o país e as questões essenciais, que não só as de visão partidária e ideológica? Onde está a pressa de chegar ao poder, se não está preparado… minimamente?
– Quando vemos, ouvimos e (quase) não percebemos que há, em Portugal, um tribunal – dito ‘constitucional’ – que fiscaliza as regras/leis/ditames/etc. segundo os parâmetros da Constituição da República, mas ele mesmo é composto por juízes não julgáveis – como se fossem infalíveis – mas indicados pelos partidos que compõem o espectro partidário… e depois não se julgam pressionados, mas actuam segundo as regras das querelas da partidarite. Quem pode julgar e ser julgador, se as leis lhe estão sempre favoráveis? Porque hão-de os juízes do TC poderem reformar-se aos quarenta anos – só com dez de serviço – se o resto do povo (normal) tem de trabalhar até aos sessenta e cinco/sete?
– Quando governo e oposições usam as mesmas palavras, embora com significados diversos, não estaremos a querer enganar o povo e, por isso, a colocando-o fora da participação política activa?
– Quando vemos aguerridos combatentes aos lucros capitalistas em paraísos fiscais, que tão fervorosamente constestam as regras para o resgate da dívida em Chipre… como que somos levados a desconfiar que têm muito mais de cem mil euros para não serem taxados como parecem defender para os outros… não para eles!
– Quando vemos surgirem certos figurões no écran da opinião – qual noiva ofendida com os agravos dos seus pundunores ofensores! – como que nos sentimos numa espécie de ridicularização sobre a nossa capacidade intelectual e num congestionamento de não-ofensa à raiva, pois quem tanto mal nos fez parou o filme – quase dois anos – e agora surge a proferir tais dislates que mais parecem elogios aos antepassados da vergonha… embora possam surgir como entendidos na solução aos vindouros mais incautos…
– Quando olhamos certas carpideiras da economia estatizada – sob o signo de modelos que já faliram noutras paragens, mas que ainda têm algumas raízes neste país de brandos costumes – a lançarem lágrimas sobre os Estaleiros de Viana do Castelo como que sentimos que aquele feudo está prestes a escapar ao controle de certas forças – ditas trabalhadoras, progressistas e reivindicativas – que foram afundando na negligência um certo estrato da sociedade e da região… que, embora privilegiado, está falido e quase amorfo. 
– Quando vemos serem cerceados alguns temas éticos mais elementares, por parte de uma certa comunicação social – só porque lhes cheira a cristianismo, senão na
teoria ao menos na prática – talvez nos pareça ainda estarmos sob a custódia de um tal jacobino bolorento da primeira república, onde quem não pensa(va) como eles… logo se torna(va) inimigo.
– Quando se nos afigura uma tal proclamação do consumismo – embora falido ainda tem muitos seguidores endivididos – como se fosse a solução das questões, quando não passa da causa de muitos problemas, então urge reflectir sobre quais são os valores nos quais estamos a construir a nossa história pessoal
e colectiva.

Afinal o civismo – onde também a dimensão política se insere – está a construir-se, hoje como ontem e amanhã!




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