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Precisamos de iniciativas revitalizadoras da economia

Atravessamos uma fase muito crítica a nível dos vários setores da sociedade, casos dramáticos que chocam qualquer cidadão que olha em redor e observa tanta miséria, fruto, em muitos casos, da má gestão e de tantos descalabros financeiros. Desperdícios que se poderiam evitar e que se foram acumulando ao longo do tempo. Não sou economista, mas quando os gastos são maiores do que os proveitos não precisamos de peritos na matéria para sabermos o que fazer, mas o caminho, neste e noutros países, foi o inverso.

Salvador de Sousa
26 Abr 2013

Pagava-se, em muitos casos, para destruir determinados setores primários, entrando-se em consumos desenfrea-dos, ultrapassando-se muito as barreiras admissíveis, pagando-se reformas milionárias por meia dúzia de anos de trabalho, contagem de tempo de serviço a dobrar, ordenados incomportáveis com o nível económico do país, viaturas de serviço em exagero, telemóveis, cartões de crédito, pareceres e projetos sem concretização, fundações, observatórios… Lembram-se dos estudos do novo aeroporto, do TGV e de tantos outros?
Este Governo, não tenhamos dúvidas, herdou uma situação terrível, mas a austeridade não pode incidir constantemente no corte de salários e pensões e num aumento desmedido de impostos, pois baixar o poder de compra, como tem acontecido, acho que não é benéfico para o desenvolvimento económico. Essas economias serviam, em grande parte dos casos, para investir, no dia a dia, em obras, em compras diversas, em viagens, na restauração e em tantos outros investimentos. A destruição da classe média arruína, em parte, todas as outras como está a acontecer com tantas falências em restaurantes, no comércio em geral, na construção civil e em tantas outras empresas com o consequente aumento do desemprego.
É urgente reestruturar o Estado, é preciso ter coragem e acabar com tantas regalias desnecessárias. Acabemos com certas deslocações com gastos desmedidos, tenhamos só as viaturas essenciais para o serviço e deixemo-nos de exageros; evitemos pareceres, estudos, projetos, consultadorias que, muitas vezes, não têm qualquer concretização; continuem a combater a economia paralela; reduzam os gastos na Assembleia e na Presidência da República; cortem o apoio a certas fundações e vendam as tais viaturas de luxo desnecessárias. Tantos exemplos de gastos que, combatidos, evitariam a destruição da economia e o desaparecimento da classe média. Este governo já tomou algumas medidas a esse nível, mas não chegam.
Precisamos também de uma oposição construtivista e não passar o tempo a dizer mal sem dar alternativas. O país não pode estar a perder tempo com factos mesquinhos como, por exemplo, a ausência de ministro dos Negócios Estrangeiros na tomada de posse dos novos elementos do Governo. Para mim, são discussões despropositadas quando se sabe que o governante estava em serviços inadiáveis do cargo que ocupa. Acham que todo esse alarido, “do deita abaixo”, é benéfico para a credibilidade do nosso país? Temos que saber avaliar todas essas atitudes, pois atravessamos um período em que a política deve estar ao serviço do país e não a favor dos interesses partidários. Quem defende, neste momento, eleições antecipadas estará a agir bem? Que se façam remodelações no Governo é normal, mas com uma maioria, democraticamente eleita, não faz sentido tal aberração.
Precisamos, isso sim, de contribuir para que a nossa imagem dê sinais de positividade, para isso devemos fazer tudo para que comecemos a inverter o descrédito que estávamos a ter a nível dos nossos parceiros económicos. Temos o exemplo da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), sendo “uma entidade pública de natureza empresarial vocacionada para o desenvolvimento de um ambiente de negócios competitivos que contribuam para a globalização da economia portuguesa”. A AICEP trabalha para a dinamização da economia através de gestores de cliente e de uma rede comercial externa, prestando serviço de suporte e de aconselhamento sobre a melhor maneira de abordar os mercados externos, procurando oportunidades de negócios internacionais, acompanhando o desenrolar dos processos. Braga foi o local escolhido, no próximo dia 30, na Universidade do Minho, para 3.ª edição das Conferências Portugal Global, graças ao empenhamento do deputado Altino Bessa, sendo mais uma iniciativa de apoio à internacionalização das nossas empresas, desta vez virada para a “diversificação dos mercados” onde haverá conferencistas prestigiados. São os tais contributos que Portugal precisa.




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