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Outro Ponto de Vista…

Como todas as datas com relevância histórica, também o 25 de Abril, caiu na rotina anual da pura celebração e comemoração. Numa perspetiva, que se pretende diferente, procurarei abordar o sentido do dia com um outro olhar, com um outro ponto de vista. O dia 25 de Abril de 1974 reconheço, passou-me completamente ao lado. Na altura, muito jovem e a viver no Portugal ultramarino, em Moçambique, julgo ter tido conhecimento do que se passava na Metrópole, como então se referia ao Portugal Continental, ao Portugal de Lisboa, por volta do dia 27, mercê de alguma agitação que, ao contrário do que estava habituado, senti na Escola que então frequentava, a General Machado em Lourenço Marques.

Acácio de Brito
26 Abr 2013

Agitação em comportamentos e também em formas novas de abordagem ao socialmente correto.
Cidade com algum cosmopolitismo, graças não só, à sua localização, mas também por dispor de uma classe média com algum poder, verifiquei que os filhos dessa mesma classe, frequentadores da Universidade local, se manifestavam de forma ruidosa o que não era de todo habitual.
Pela primeira vez ouvi falar em Spínola, em Salgueiro Maia e nos capitães de Abril…
Tempos inenarráveis.
Tudo começou a processar-se de forma distinta.
O que hoje era herói amanhã era traidor e vice-versa.
Imagine-se o que se passava na cabeça de um jovem de 11 anos ao verificar que o seu responsável máximo na Mocidade Portuguesa de um dia para o outro passa de salazarista assumido, a maoísta, não só convertido mas convictamente presumido.
Caos total… Mas afinal onde está a coerência das opções de vida?
Na oportunidade ou, na convicção?
Lição de vida, os primeiros dias de liberdade!
Sem procurar entrar em estórias que fazem parte de uma outra história, recordo com saudade os dias primeiros do que Abril anunciava.
Depois, por razões que um dia a história contará, a troco de um prato de lentilhas, muitos renegaram o que sempre acreditaram.
Contudo,
Com Abril, adquirimos um novo espaço de liberdade.
Com Abril, iniciamos um novo processo de reordenamento territorial.
Com Abril, foi-nos dada a possibilidade de melhor conhecer os homens!
Finalmente e se não fosse Abril e por causa de alguns desmandos feitos em seu nome, onde estariam alguns Franciscos, Antónios, Josés, Armandos, Domingos e outros que tantos?!




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