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É fácil ser forte com os fracos

Se há uma marca distintiva do atual Governo em relação a todos os que o precederam desde Abril de 1974, essa marca é, na minha perspetiva, a seguinte: este Governo é forte com os fracos – e fraco com os fortes.Na sequência do “chumbo”, no Tribunal Constitucional, do Orçamento para o corrente ano, o Executivo governamental veio, mais uma vez, anunciar que serão os fracos a “pagar as favas”: os reformados e pensionistas, os que se encontram de “baixa” por questões de saúde e os desempregados.

Victor Blanco de Vasconcellos
25 Abr 2013

Aos primeiros, para além da aplicação de uma estranha “taxa de solidariedade” que o Tribunal Constitucional não considerou (inexplicavelmente!) inconstitucional, serão substancialmente reduzidas as suas pensões e reformas; aos que se encontram impossibilitados de trabalhar por motivos de doença, será reduzida a “pensão” que (justamente) lhes é atribuída; e aos desempregados, a maioria dos quais se encontra numa situação de desespero para alimentar os filhos, ser-lhes-á reduzido o respetivo subsídio de desemprego…
Ao contrário, os fortes continuam a passar incólumes à crise que vivemos e à austeridade que nos tem sido imposta. Os bancos – que durante décadas amealharam desmedidas quantias à custa de créditos que eles próprios “forçavam” com arreliantes campanhas publicitárias e com um “assédio” continuado aos cidadãos –, têm à sua disposição doze mil milhões de euros provenientes da “troika” e cujos juros (como sempre…) será o Povo a custear. No BPN já foram injetados mais de cinco mil milhões de euros (uma quantia assustadora, se comparada com a do “chumbo” do Tribunal Constitucional…), e os seus devedores, segundo tem revelado a imprensa especializada, continuam a viver à tripa-forra, sendo donos de empresas que valem milhares de milhões!
Das célebres rendas da Energia (que custam ao Estado muitos milhões por ano) e, sobretudo, das não menos famosas Parcerias Público Privadas (que nos sugam, anualmente, milhões a rodos), praticamente não se fala…
Os chamados “Serviços Sociais do Estado” (saúde, educação, segurança social…) verão diminuídos drasticamente os seus orçamentos – o que levará o Povo (o pobre!) a ter de custear diretamente essas despesas, como se não bastasse o que já lhe é retirado com impostos, com taxas, com diminuição de salários, com redução do subsídio de desemprego, de doença, de pensões, de reformas…
Assim, enquanto os pobres (os fracos…) sofrem na pele a terrível “austeridade” e as decisões de uma insensível “troika”, os ricos (os fortes…) permanecem nos seus patamares de abundância, absorvendo milhões e milhões do Estado (do Povo) – e até chorudos “prémios” de produtividade (mesmo em empresas que dão prejuízo!).
Parece fácil governar assim… E é! Porque, para tirar aos fracos e não tocar nos fortes, qualquer cidadão estaria apto para governar… 




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