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Jogando ao esconde-esconde

O último encontro do PS com o governo “não deu em nada”, palavras do líder daquele partido. Que não desse em nada já todos esperávamos. O contrário é que seria novidade. E o porquê já lá iremos. Comovente foi ver a satisfação do senhor presidente, em solo colombiano, e nós sabemos como por vezes as distâncias dificultam a clara visão, que afirmou, embevecido, aos jornalistas que o acompanham que “essa notícia que acabam de me dar e que eu já sabia, como é óbvio” o deixava profundamente satisfeito, e mais umas considerações quejandas. Perante declaração tão assertiva e tão profundamente sentida afigura-se descabido qualquer comentário.

Maria Helena Magalhães
24 Abr 2013

Voltemos então ao encontro e ao facto de, o dito, antes de ser já o era. Pois se é sabido e consabido que toda a oposição está unida na rejeição da actual política de austeridade – e não só a oposição, registe-se, dentro dos partidos que suportam o governo as vozes contra são mais que muitas, para não efabular a respeito da coesão da coligação governamental.. Pois se o ministro das finanças já tinha anunciado que haveria cortes, 600 milhões, na despesa do Estado. Pois se fora tornada pública uma carta, supostamente  endereçada à troika (?!), do primeiro-ministro prometendo cortar para remediar o chumbo do TC. Pois se tudo isto, e o mais que me possa escapar, já era sabido antes do encontro, o que haveria de se esperar? Mais do mesmo. A não ser que o líder da oposição tivesse explicado que “essa notícia (o encontro) que acabam de me dar e que eu já sabia”, blá-blá-blá. Ficávamos sem perceber patavina mas podíamos imaginar que havia segredo na manga.
Novidade, à falta de melhor qualquer coisa serve, foi ver os senhores banqueiros também se pronunciarem contra a austeridade – a que austeridade se referiam não explicaram. O senhor do “aguenta, aguenta” disse não sei o quê e outro que “a austeridade é violenta e está a chegar ao limite”. Tal qual! E, já agora, de referir que o chamado “patrão dos patrões” também se pronunciou a propósito e acrescentou que “o Estado é o maior devedor, se pagasse o que deve às empresas era um impulso à economia”. Também aqui ficámos com os neurónios a relampejar pois era suposto que desta banda não viria impedimento.
A cereja no bolo foi saber que na tarde do dia do tão almejado encontro – sim, porque o senhor presidente não se emocionava em vão… – havia um conselho de ministros para “fechar os cortes” e que disso seria, finalmente, dada pública notícia. Pois o tal  conselho entrou pela noite dentro, madrugada fora, e foi anunciada uma conferência de imprensa para o começo da manhã seguinte. Então uns ministros mais um secretário de Estado vieram anunciar… nada!: que será tudo explicado no orçamento rectificativo, que há uma ampla abertura para receber outras propostas, e mais umas quantas vacuidades. Ao certo, se entretanto não mudar, foi dito que o “corte no Estado” rondará os 820 milhões (0,5% do PIB).
Se isto não é jogar ao esconde-esconde, que jogo será?




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