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Que família (cristã) para este tempo?

A Conferência Episcopal Portuguesa publicou, no final da última reunião plenária, no dia 11 de abril, uma nota pastoral intitulada: ‘A força da família em tempos de crise’. Neste texto os nossos bispos fazem-nos reflectir sobre alguns aspectos essenciais da família. Respigaremos breves excertos, tentando respeitar os subtítulos do documento, e acrescentaremos umas tantas perguntas… que nos parecem úteis.

A. Sílvio Couto
22 Abr 2013

1. Família: bem social
A família representa um bem público, um bem social. Podemos encará-la na perspetiva do seu relevo privado, como um bem para a realização pessoal, no plano afetivo, espiritual ou outros, de cada um dos seus
membros. (…) A família é o santuário da vida e do amor, lugar da manifestação de uma grande ternura.
– A quem interessa confundir as noções de ‘família’ senão àqueles que sobrevivem nas confusões, sejam elas terminológicas ou sejam morais/éticas ou pseudo-culturais?
– Porque se escondem, mesmo noticiosamente, tantas tribulações – desde a agressividade até ao crime – das ditas famílias homossexuais?

2. Importância da família
Na família respeita-se a dignidade da pessoa humana, esta é encarada como ser único e irrepetível. Nela não há lugar para o anonimato. Nela a pessoa é acolhida e amada pelo que é, não pelo que faz ou pelo que produz.
– Quando vemos proliferar situações de famílias mono-parentais não estará um tanto em risco o equilíbrio das pessoas, sobretudo dos mais frágeis?
– Quando aos velhos são substraídos os elementos mais básicos como poderemos sobreviver civicamente?
3. Crise económica e social com repercussão na família
A crise económica e social que o nosso país atravessa vem evidenciando, precisamente, a riqueza que representa a família. Tem sido a solidariedade familiar, que se traduz em solidariedade entre gerações, em muitos casos, o primeiro e mais seguro apoio de quem se vê a braços com o desemprego, ou a queda abrupta de rendimentos, com a consequente incapacidade de fazer face a compromissos assumidos que se destinam à satisfação de necessidades familiares essenciais, como a da habitação.
– Perante certas (ditas) ajudas – sociais, políticas e/ou assistenciais – estaremos a dignificar ou a desvalorizar a família?
– Os laços familiares já aprenderam a gerar novas formas de partilha e de inter-comunhão… muito para além da ajuda circunstancial?

4. Abertura à vida na família… com critérios cristãos
Talvez o mais eloquente sinal de que a crise da instituição familiar se traduz em malefícios sociais seja o da crise demográfica, que muitos consideram o mais grave dos problemas sociais das sociedades europeias, numa perspetiva do seu futuro mais ou menos próximo.
– Quando se paga, repetidamente, o recurso ao método do aborto e não se ajuda quem quer ter filhos, ainda estaremos a salvaguardar o nosso futuro?
– Como poderemos defender o ‘estado social’ se as comparticipações legais nos fazem pagar métodos anti-vida e não são apoiados gestos de amor responsáveis?
 
5. Família: projeto duradouro… com percalços
Para vencer a crise demográfica, como em relação a muitos outros aspetos relativos à sua função social, há que acreditar na família como um projeto duradouro, assente num compromisso de doação total e não na volatilidade dos sentimentos.
– No contexto da preparação próxima – cursos e reuniões – para o casamento/matrimónio como poderemos refazer a linguagem, quando mais de metade dos candidatos já vive em conjunto e/ou com filhos?
– Depois de certas vivências mal-sucedidas – onde o divórcio se torna ferida – como deve a mãe-Igreja acolher e tratar compassivamente os re-casados e as vítimas da separação não-culpável?

6. A sociedade à imagem da família
Os valores que se vivem na família – a pessoa amada e acolhida como ser único e irrepetível, o amor gratuito, a solidariedade espontânea, a autoridade como serviço, o valor do doente e do idoso, a aliança da tradição e da inovação, a unidade e complementaridade das dimensões masculina e feminina, a fidelidade e o compromisso – devem estender-se, por seu intermédio, a toda a sociedade: às empresas, aos serviços públicos, às escolas e hospitais, às comunidades eclesiais, às associações. A família é o modelo, o dever ser de qualquer convivência humana.
– Não será verdade que a sociedade está em colapso porque a família está doente?
–Já fez o chek-up da sua família para entender melhor os males da nossa sociedade?

Nota: para ler com maior detalhe este artigo sugerimos: www.aquieagoraeu.blogspot.com




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