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Os SMS de Portugal

O regime de austeridade imposto de fora para dentro a Portugal, melhor dizendo, aos portugueses, deu como único resultado um desemprego assustador; esperava-se que houvesse recuperação económica, propícia a um quotidiano digno aos portugueses. Era espectável que tudo isso se traduzisse numa mediania de vida, isto é, que o nível de vida dos portugueses se situasse para longe da pobreza embora para aquém da riqueza. E nada disto se deu.

Paulo Fafe
22 Abr 2013

A credibilidade que este Governo conseguiu lá fora é a imagem de um povo que compreende e sofre resignado por entender que quem come à custa de outrem sempre será escravo de alguém. E este povo é orgulhoso de si e quer ser independente. Dignidade é ser-se aquilo que se quer ser, sem pedir autorização a ninguém para o ser. E isto leva à seguinte questão: os portugueses, ou vivem de acordo com o que produzem, ou serão eternamente pedintes; julgo que se formos pedintes, até os filhos na barriga das mães já terão as mãos estendidas para a esmola. O atual Governo afinal não passou de um pagador de dívidas e para as liquidar quase liquidou os portugueses. Esta liquidação leva a oposição a questionar o pagamento da dívida: segundo uns, a dívida não se deve pagar, segundo outros há outros modos e tempos para  a pagar. Portugal precisa de dinheiro para financiar a economia, isto é, para emprestar às empresas; se o dinheiro é para pagar salários, aposentações, sistemas de saúde, educação ou segurança, então cada vez será mais pedinte. Para pagar estes serviços tem de se valer da riqueza interna e de acordo, e sempre de acordo, com as disponibilidades do tesouro. O dinheiro pedido deve render dinheiro como matéria-prima que se transforma em mercadoria transacionável. Oiço para aí dizer que tudo se tem feito à custa dos portugueses, mas pergunto, deveria ser à custa de quem? Dos alemães? O desafogo financeiro, isto é, a renda tributária  só aumentará quando a economia crescer e nunca e apenas através de impostos e poupanças. Grita-se em várias vozes: desemprego só pode diminuir quando a economia crescer. Todos dizem isto mas ninguém diz em concreto como se faz crescer a economia. Fazer crescer uma economia não é veni vidi vinci, cheguei vi e venci, leva o seu tempo. Em primeiro lugar, os investidores, que são quem faz crescer a economia,  têm de olhar para nós com olhos de povo que paga o que deve; o investimento estrangeiro estará mais disponível do que quando éramos um país na bancarrota, aí mérito para este Governo, em segundo lugar  eles  pensam que as leis laborais, as leis tributárias, a burocracia e a celeridade dos tribunais, são fatores muito a considerar em qualquer investimento. Em terceiro lugar, a hora da viragem só chegará  quando tudo isto se consumar em tempo célere e harmonia social. As finanças devem ser  o contabilista de uma economia e nunca uma amarra que prenda o barco que se quer fazer ao alto. É tão simples de perceber isto! Nós temos muitos recursos naturais. São os SMS. Temos mais de trezentos dias de Sol por ano; usufruímos dum Mar  que nos abraça por dois lados e de um Solo mediterrâneo para desentranhar  cientificamente. Vamo-nos a estes SMS, holisticamente já se vê, porque viver de subsídios e de dívidas, estamos bem a ver os resultados que deu: pobreza e humilhação.




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