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Condomínios

Aqui se apresenta um “caso” que acontece em tantos e tantos condomínios da nossa urbe e que merece ser descrito em jeito de “narrativa” (onde é que eu já ouvi isto de “narrativa”?!). Ora, temos a dona Elvira (“Vira” para o marido e “Birinha” para a vizinhança), que é residente num 1.º andar, comprado com muito esforço e ainda a ser pago por mais uns bons anitos. O apartamento, no ato da venda, era promovido como sendo do “último grito”, com materiais e acústica da “última geração” e tudo o resto de altíssima qualidade. Fica situado numa zona “in” da cidade. Para além disso, o dito cujo apartamento tem uma ampla área que incluiu um espaçoso terraço (aquando da compra, pensava a “Birinha” ser aquele o local ideal para ter uns vasos de orquídeas, que tanto aprecia).

José Leite Silva
22 Abr 2013

A “Birinha” é uma extremosa dona de casa que gosta de ter sempre o seu lar muito asseado pois diz ela que “foi educada na pobreza, mas também na limpeza” (é vê-la ao fim de oito horinhas de trabalho na fábrica, a chegar a casa e ir “dar à corda” e a “arrumar o que não está arrumado”).
Acontece é que, por estes dias, a “Birinha” anda diferente, muito nervosa, impaciente, irritadíssima… e ao que foi apurado, tal facto, deve-se à vizinhança dos andares superiores, em especial uma Dr.ª do 2.º.
Então não é que a nova vizinha do andar de cima (uma mulheraça dos seus quarenta frequentadora do “jet set” cá do burgo), sacode as toalhas, os lençóis, os cobertores, os tapetes, põe a roupa a escorrer e ainda deita outros detritos para o seu terraço?! Toda esta “lixeira”, toda esta “esterqueira” vem parar ao átrio que ela tanto se esmera por ter muito asseado e limpo?! A “Birinha” já fez tantos pecados em “insultos, omissões e maus pensamentos” que não há confesso que a não leve a muita penitência!
Mas há mais… a Dr.ª do 2.º, ao fim de semana, chega a casa a altas horas da madrugada, e anda de saltos altos (daqueles muito “pirolitados”) dentro do apartamento. Como vem suada, lembra-se e vai tomar uma “banhoca” com direito a cantoria e tudo. Como tem um “cachorro” o pobre animal, com saudades da dona, começa a ladrar quando ela chega a casa (por vezes, quando ela o solta, faz as “necessidades” no patamar da “Birinha”). Mas, mais grave ainda, é quando a Dr.ª do 2.º “baila” com um namorado de ocasião até altas horas da madrugada e no silêncio da noite se ouve a “música e todos os seus acordes”. A “Birinha” desespera com toda esta situação, não consegue descansar, nem dormir o “sono dos justos”. Já não há “xanax” que a adormeça! Quem sofre e muito padece é o marido (que paciência que o homem tem para “aguentar” os lamentos da esposa e as “infrações” da vizinhança).
Nas reuniões do condomínio, a «Birinha” já “fez o ponto da situação”, começou por implorar respeito; já reclamou e protestou pelos seus direitos de cidadania e de condómina; já diligenciou junto do responsável do condomínio para que a situação fosse alvo de “mensagens” de educação cívica; já “rogou”, em muitas oca-
siões, à Dr.ª do 2.º e aos restantes vizinhos, para que “haja respeito” pelo seu bem-estar. Mesmo depois de todo este empenho e esforço a “vizinhança de drs” nada mudou no seu comportamento (ela costuma dizer que a escola dá ensino e diplomas, mas não dá nem educação nem berço). Só lhe falta chamar a polícia! Mas será que vale a pena “chatear” a autoridade para um caso de “indisciplina” da vizinhança?! Não será mais fácil para todos resolver o caso em diálogo, com base no bom senso cívico e tendo em conta valores de urbanidade?!
Leitor: o que acontece com a “Birinha” é o que ocorre em alguns dos condomínios da sua rua. Por isso, este caso não é “algures”, não incide só nos “outros”, pode recair na sua habitação, no seu condomínio. E diga lá da sua justiça: – não revolta qualquer ser humano que é educado e tem valores de cidadania?! Já imaginou se fosse consigo?! (já sei que está a pensar que a Dr.ª do 2.º estava “feita ao bife”, mas não é com violência que se resolve a situação, acredite).
Então, vamos lá respeitar a “Birinha” e todos os vizinhos que estão nas mesmas condições dela. Mas não só! Vamos respeitar-nos enquanto cidadãos responsáveis e preservar as relações de amizade e respeito que devemos nutrir uns pelos outros, para mais quando partilhamos o mesmo espaço e somos “senhores” de uma riqueza em comum. Vamos a isso.




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