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Uma saída para a crise (Ridendo, castigat mores)

No fluir da minha imaginação fiquei feliz por, um dia destes, ter encontrado uma saída para a nossa crise sem necessidade de sairmos do euro. Nada mais, nada menos do que uma fusão de Estados. Não com a “aflita” Espanha pois os tempos de hoje não dão razão à máxima “das fraquezas nasce a força”. Mas há outros motivos para rejeitar essa “união”. Seguramente, no “memorando de entendimento”, ficaria previsto um prazo para aprendermos a falar castelhano (e não é o português uma língua mais suave?), nunca poderíamos falar mais de Olivença e teríamos que nos adaptar às “tapas” e outros “pinchos”. É que nós, os portugueses, não dispensamos faca e garfo… Para lá de outros importantes inconvenientes, pois o desemprego não iria diminuir e a dívida continuaria a aumentar. Nem tudo seria mau, pois o “nosso” D. Duarte iria residir para o Palácio da Zarzuela e teríamos muitas alegrias desportivas nas várias modalidades. Claro que o “memorando” também não iria agradar aos nossos touros…

J. C. Brandão Proença
21 Abr 2013

Convictamente não à fusão com Espanha, não me convencendo os argumentos de que já temos a Zara, a Stradivarius, o El Corte Inglés. Na utopia da minha imaginação, a união é com um país (rico) do norte europeu, mais precisamente com a França. Se pensarmos bem, depois de termos sofrido as “invasões francesas” é justo que a França suporte as “invasões portuguesas” (há já cerca de um milhão e meio de portugueses a trabalhar nesse país). Mesmo numa visão geométrica não é difícil juntar um hexágono com um retângulo. Sendo certo que a língua francesa não é difícil, e bastante mais doce que o castelhano, vejamos outras benesses do “memorando de entendimento”: dívida absorvida (que se lixe a troika!), idade mais baixa para a reforma, um salário mínimo “à grande e à francesa” (para alegria de Carvalho da Silva e dos nossos atuais sindicalistas), desemprego diminuí-do, sob condição de alguns dos nossos licenciados não se importarem de aceitar trabalhos que os franceses não querem e, mesmo, o Alexandre Soares dos Santos poderia abrir em França lojas Pingo Doce. No aspeto político, Hollande passaria os seus dias entre Belém (já se vendem pastéis de Belém em Paris!) e o Eliseu e Cavaco Silva ficaria (com mérito?) Presidente emérito, podendo gozar a sua reforma? com muita tranquilidade. Sendo abolidos (para contentamento de muita gente) os nossos partidos, António José Seguro tornar-se-ia militante do PS francês (e colega universitário de José Sócrates), Passos Coelho faria companhia a Sarkozy no seu UMP, Vítor Gaspar, depois de umas merecidas férias, regressaria a Bruxelas ou aconselharia Hollande (para um toque de austeridade, já que em França há quem se queixe da despesa pública), Jerónimo de Sousa tentaria erguer o debilitado PC francês apesar de nos cartões dos militantes já não figurar a foice e o martelo, os nossos dirigentes sindicais teriam muito por onde escolher (CGT, CFDT, CFTC, FO, FSU), Francisco Louçã teria por acolhimento o Parti de Gauche de Jean-Luc Mélanchon, mas duvido que Paulo Portas quisesse juntar–se a Marine Le Pen na Front National. Não se falaria mais da subida das rendas antigas, já que o nosso problema de alojamento ficaria resolvido com a nova casa do Benfica em Paris (não são os benfiquistas seis milhões de portugueses?). Por falar em desporto, claro que a seleção francesa de futebol passaria a jogar com o Ronaldo e o João Moutinho. Nem há que ficar gastronomicamente descontente, já que um Bordeaux iguala ou supera mesmo um bom Douro ou um bom vinho do Alentejo e o pot au feu, o cassolet ou as tripes à la mode de Caen nada temem em confronto com o cozido à portuguesa ou a apetecível feijoada (à transmontana e à moda do Porto). Mais incómodo é trazermos a baguette para casa, apesar de alguns dos nossos supermercados já venderem a “baguette francesa”. Quanto às sobremesas, já estamos perfeitamente integrados: bavaroise, mousse, flan, charlotte, morangos com chantilly, macarons… E, cereja no topo do bolo, graças à generosidade do sistema francês de saúde, até passaríamos a andar todos com os dentes bem tratados.

Há, contudo, um pequeno grande problema nesta fusão, pois, como “afrancesados”, teríamos de trabalhar mais, bastante mais, e de ser mais profissionais (por ex., nos serviços públicos deixaria de se poder conversar sobre futebol, nos cabeleireiros acabariam as conversas de maldizer sobre as clientes e os vizinhos, bem como as discussões sobre as telenovelas). Aqui é que pode estar um problema para a minha imaginada fusão com França, pois não sei se muito português abdicaria do chamado dolce fare niente.




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