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Os cortes na despesa do Estado que o povo quer

Depois da ameaça que ia fazer severos cortes por causa da decisão do Tribunal Constitucional, o Governo apresentou uma nova encenação de comunicação: em vez Vítor Gaspar, vieram 4 caras novas para dizer nada… acerca dos cortes que o Governo iria concretizar, mas sempre disposto a negociar com o PS. Claro que ninguém acreditou nesta nova encenação de diálogo: primeiro, porque se tratou apenas de uma operação de cosmética de diálogo, correspondente à mudança de ministros nessa área; segundo, porque, apesar da situação económica do país se estar a afundar em dívida a um ritmo diário galopante, não obstante a severa austeridade a que temos estado sujeitos, ninguém acredita que o Governo vá agora mudar de política. E, o que é mais preocupante, é que não se vê como o país vai poder sair desta dívida que se acumula diariamente na ordem dos milhões. Que pensa o Governo sobre isso?

M. Ribeiro Fernandes
21 Abr 2013

É verdade que tem de haver alguma austeridade, por causa dos sucessivos erros de despesa não reprodutiva com que tantos governos endividaram o país, mas a austeridade só é possível se houver desenvolvimento económico para poder pagar a dívida e os juros. De outro modo, o país cai na miséria e os credores ficam sem dinheiro. Tem de haver austeridade, mas não é reduzindo o povo à miséria que a dívida se paga. No que diz respeito aos cortes, mais uma vez o Governo correu na pista errada e não ouviu a voz do Povo, decidindo fazer cortes que só visam os mais fracos. Não são esses os cortes que o Povo reclama; são outros cortes, que são luxos e desperdícios inúteis e representam milhões.
Se o Governo tivesse ouvido o Povo e lesse as suas mensagens sociais que por aí circulam já o tinha percebido. Os mails que falam de cortes na despesa do Estado não são abstracções políticas e são coincidentes com a expressão da voz do Povo que se ouve em qualquer lado. Há, naturalmente, os mais radicais e há os mais sensatos. Embora se tenha de ouvir todos, é destes que se esperam sugestões viáveis. Entre essas, estão algumas das que vou transcrever. Não sei se os números avançados nesses mails são exactos, mas não custa nada ao Governo, que tem essas contas em mão, verificar e agir em conformidade. Eis algumas sugestões de cortes nas despesas do estado que o Povo reclama:
1.1. Reduzindo em 50% o orçamento da Assembleia da República, pode-se poupar cerca de 43.000.000,00€;
1.2. Reduzindo em 50% o orçamento da Presidência da República, pode-se poupar cerca de 7.600.000,00€;
1.3. Se cortarem as subvenções vitalícias aos políticos e deputados, o que é um acto de elementar reposição da justiça, porque são um privilégio de classe e um abuso de poder, vão poupar cerca de 8.000.000,00€;
1.4. Se cortarem 30% nos vencimentos e mordomias dos políticos, seus assessores, secretárias e outras despesas, vão poupar cerca de 2.000.000,00€;
1.5. Se cortarem 50% nas subvenções estatais aos partidos políticos, que são um estímulo ao parasitismo, vão poupar cerca de 40.000.000,00€;
1.6. Se cortarem os apoios e outros benefícios fiscais às Fundações, vão poupar mais ou menos 500.000.000,00€;
1.7. Se reduzirem, em média, 1,5 vereador por cada Câmara (e podia e devia ser muito mais), irão poupar cerca de 13.000.000.0€;
1.8. Se deixarem de pagar aos membros das assembleias municipais e de freguesia, façam as contas ao quanto o país vai poupar…
1.9. Se renegociarem, a sério, as PPP (Parcerias Público-Privadas), as rendas das energias, o escandaloso preço dos combustíveis e das telecomunicações, pode-se poupar mais de 1.500.000.000,00€.
Façam as contas e vejam quanto o país pode poupar nestes cortes de elementar justiça.

2. Mas, há muitas outras receitas que se podem adicionar ao corte destas despesas, como, por exemplo:
2.1. Procurar o dinheiro metido no BPN, que ronda os 9.000.000.000,00€;
2.2. Vender 200 das tais 238 viaturas de luxo ao serviço do Estado e poderão obter mais de 5.000.000,00€;
2.3. Fazer o mesmo a 308 automóveis das Câmaras Municipais (bastaria abater 1 por cada Câmara) e poderão ter mais uma receita de 3.000.000,00€…
Como se vê, não faltam alternativas aos cortes do Governo. São estas que representam gastos e luxos inúteis. O que se não pode aceitar é que o Povo continue a ser reduzido à miséria para compensar má gestão do poder central e local e das empresas do Estado e municipais.
Por fim, um conselho ao PSD profundo: face à progressiva degradação do estado económico do país e a uma governação que não acerta no caminho, recomenda-se que corrija, enquanto é tempo, o erro das escolhas que fez… porque pode já não ter muito mais tempo para o fazer.




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