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Que solução para o país

Neste momento de grande preocupação social seria preciso, para nos salvar da eventual bancarrota, encontrar soluções inovadoras, eficazes, talvez, miraculosas para resolver o futuro dos portugueses, uma vez que o presente já está completamente perdido. Tivemos várias oportunidades para nos colocar bem no pelotão da frente no que concerne ao desenvolvimento, mas continuamos a seguir e a cumprir os preceitos erráticos da história. Assim aconteceu com as especiarias da Índia, com o ouro do Brasil e agora com os milhares de milhões de euros dos fundos de coesão vindos da União Europeia. Tudo perdido por culpa própria e por responsabilidade direta de quem nos lidera e governa.

Armindo Oliveira
20 Abr 2013

Os tempos áureos da abastança, das regalias e dos direitos adquiridos acabaram para sempre. Já fomos, temporariamente, ricos. Não soubemos sê-lo. Mas deu para sentir que é bom viver de barriga cheia. Esse foi o tempo das ideias megalómanas, das criatividades redondas, das originalidades bizarras e das frenéticas campanhas eleitorais. As megalomanias fervilhavam nas cabeças geniais dos nossos governantes de Lisboa e dos nossos autarcas das Câmaras Municipais. Até nas Juntas de freguesia se engendravam grandes projetos que se consubstanciavam em obras de fachada com desperdício de somas elevadas. Tudo à farta, porque o dinheiro era descarregado nas instituições públicas e nas empresas que se dedicavam à formação profissional, às pazadas. Os bancos abriam os cordões à bolsa. Havia dinheiro para tudo. Para estragar, para corromper, para fazer fortunas aceleradas. E, agora de mãos vazias, só nos resta mendigar junto dos “especuladores” para baixarem os juros e para nos dar mais tempo para pagar como se alguma vez fosse possível pagar a monstruosa dívida, de 200 mil milhões de euros, gerada ao longo desta democracia.
Neste momento, estamos a caminhar, em passo acelerado, para a pobreza. Acabou-se o dinheiro e as soluções, as grandes soluções não aparecem para contornar o enormíssimo problema da falência do Estado. Gastar foi fácil, produzir e gerir com eficiência é bem mais complicado. A solução apresentada pelo governo cheira a mofo e reside no habitual corte dos salários da classe média, fundamentalmente, no aumento incrível de impostos e no esmagamento das despesas com a Educação, Saúde e Segurança Social. Assim, qualquer um tem uma pasta no Governo. A oposição socialista e socrática aposta na agenda do crescimento económico, na criação de emprego e no “parem com a austeridade”, mas não é capaz de explicar como este milagre se faz. A oposição radical joga tudo em eleições antecipadas para, no final, obter os resultados residuais do costume e aponta como solução última que se rasgue o Memorandum de Entendimento como se isso fosse possível. Alguns economistas defendem a saída do euro.
A solução mais óbvia passa pelo investimento direto em unidades produtivas para se criar postos de trabalho efetivos e bens para a exportação. Nesta linha de pensamento, ter-se-ia que “exigir” à Troika que dos cerca de 7 mil milhões de euros que Portugal paga de juros, anualmente, em vez de irem encher os bolsos dos financiadores, pelo menos metade desses juros teria que ser investido no país. Com investimentos desta escala seria possível criar as condições para se inverter o plano inclinado do desemprego e da pobreza.
Em suma, um país com governantes peritos nos cortes, com uma oposição fraca, com economistas sem ideias concretas e sem investimentos não se irá, claramente, a lado nenhum. Soluções efetivas para um país muito endividado e cheio de vícios não existem.




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