Fotografia:
Manuel Fonseca

Necessitamos ser libertados. Uma teia enorme de laços nos prendem, quais empecilhos à volta da mente e dos membros. Naturalmente me estou a referir à situação económico-financeira nacional e europeia. Não duvido dos esforços dos governantes internos e externos para combater os desequilíbrios financeiros e estruturais que se têm acumulado. A adesão à União Europeia tem sido uma das prioridades dos povos deste velho continente, para uns já alcançada, para outros desejada, tendo em vista a consecução dos fundos comunitários.

Manuel Fonseca
20 Abr 2013

Portugal é um país que conseguiu essa adesão há 28 anos e tem beneficiado muito desses fundos e, pelo visto, vai continuar a beneficiar de harmonia com um novo programa até 2020.
Infelizmente, não são palpáveis os frutos daí resultantes. Pessoalmente entendo que houve programas que foram negativos no aspeto de desenvolvimento, pois ordenaram o abate de produção vinícola, de frotas pesqueiras e da agricultura em geral, sabendo que as grandes riquezas deste país estão precisamente nesses setores económicos. Em contrapartida, Portugal, país essencialmente agrícola e marítimo, só conseguirá levantar-se com a dinamização desses setores.
Algo corre mal a nível da UE e do euro, porque os países integrantes, um após outro, vão abrindo um enorme fosso de dívidas e de pobreza, que atinge todas as classes, sobretudo as mais desfavorecidas. Uma espécie de filoxera muito ativa destrói esta vinha do velho continente, que já foi pátria de grandes confederações a começar pela do império romano.
Um exemplo da ineficácia da UE é o caso da ilha de Chipre. Esta ilha mediterrânica está dividida em duas zonas geográficas: a do norte, turca; a do sul, grega. Mas só esta última está com graves problemas financeiros porque também só ela pertence à União Europeia (desde 2004).
Em Portugal, o clima que vivemos é avassalador. A ementa que os governantes põem, cada dia que passa, na mesa dos portugueses, são cifrões ou milhões, dívidas, cortes, orçamentos, troikas, viagens, muitas viagens…
E as famílias a contarem os magros euros que possuem…
Alguém tem-se referido à assistência do FMI a Portugal, em 1983. Houve crise, mas não houve o espetáculo a que hoje assistimos. A única recordação que tenho desse tempo foi a carência do “fiel amigo”. Mesmo assim, pelo Natal não faltou. Nem o Estado se descapitalizou como sucede atualmente com a alienação de empresas basilares, como a EDP, nem fraturou o país com o fecho de serviços públicos.
Pessoalmente, gostaria que os nossos governantes transmitissem antes uma mensagem de esperança por palavras e sobretudo por obras, realizando o seu trabalho virado para o desenvolvimento e para a paz. E que o predomínio das suas viagens tivesse como destino Portugal, as suas regiões e as empresas velhas e novas.
Portugal necessita libertar-se de muitas peias que a má governação da última década lhe tem posto no caminho.
Que o sol do amor e da alegria regresse a este “Jardim à beira-mar plantado”.




Notícias relacionadas


Scroll Up