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Viver não custa…

Recordo-me de ter lido (não me lembro onde, privilégios da idade) esta frase: “O modo como nos ocuparmos dos nossos idosos será uma caraterística histórica do nosso grau de civilização”. Há pouco tempo, nas salas de cinema do nosso país, passou o filme: “The Best Exotic Marigold Hotel”. Esta cativante comédia dramática explora com muita graça e preocupação a forma como a sociedade ocidental trata os idosos, dos quais se quer ver livre, pelo que é uma oportunidade para o Oriente atraí-los pelo turismo na certeza de que, embora em condições adversas, eles ainda têm a possibilidade de serem felizes, porque conseguiram realizar os seus sonhos e ambições mais naturais ao ser humano – amar e serem amados.

Maria Susana Mexia
19 Abr 2013

À medida que a nossa população aumenta de idade, teremos de prestar cada vez mais atenção a esta incontornável questão bem como ao envelhecimento do Ocidente e das suas naturais consequências sociais.
As ainda recentes declarações de Taro Aso, ministro japonês das Finanças, que afirmou que os idosos provocam um alto nível de despesa com a saúde e que o problema não se resolverá “se não se apressam a morrer” suscitaram uma vigorosa contestação. O Japão é o país mais envelhecido do mundo, onde 23% da população tem mais de 65 anos e o próprio ministro tem 72 anos!
Taro Aso, posteriormente, teve de rectificar o que disse e qualificou as suas palavras como “inadequadas”.
Perante esta pseudo cultura da morte será bom também não esquecer o conceito de “autonomia relacional”, a ideia de que uma pessoa não é um ser isolado, mas faz parte de um todo, uma família, uma sociedade, um país, um continente e um planeta vivo que se chama Terra. Muitos parecem ter perdido o sentido de uma conexão do ser humano entre si, com os outros, com o universo e com o cosmos de que fazem parte, numa mera forma relacional de equilíbrios onde todos os momentos estão mutuamente implicados, no sentido dos afectos e do amor e da vida no seu todo.
Cada idade tem as suas necessidades, as suas belezas, as suas tarefas e exigência de cuidados. O convívio entre idosos e jovens, sempre foi, é e será motivo de mútuo complemento, de troca de saberes e experiências, numa vivência de continuidade intergeracional. Os seus tempos cruzam-se numa partilha de equilíbrio, numa cumplicidade curiosa, numa terna forma de viver e saber ensinar a viver.
Cícero escreveu que “o peso da idade é mais leve para quem se sente respeitado e amado pelos jovens”.
O cineasta sueco Ingmar Bergman disse que “envelhecer é como escalar uma grande montanha: enquanto se sobe as forças diminuem, mas o olhar é mais livre, a vista mais ampla e serena”.
Em época de predadores da vida eu atrevo-
-me a recordar a célebre frase de Júlia César depois de ter subjugado a Gália rebelde: veni, vidi, vinci – cheguei, vi e venci. Parece-me ser nos tempos que correm, uma atitude muito de moda, entram em cena política adultos de meia-idade, ou jovens de idade avançada, depende do ponto de vista, ignoram que já existiam antes de terem nascido e desconhecem em absoluto que o tempo flui de forma vertiginosa, trucidadora e implacável. Deles nem vai restar uma banda desenhada que faça rir os avós, os filhos e os netos que resistirem ao holocausto crítico da idade. Ou será que já foi descoberto o elixir da longa vida e está no segredo destes falsos deuses?
Acabo com uma frase optimista mas que transporta muita responsabilidade para todo o cidadão que se quer livre, feliz e respeitado em todas as épocas da sua vida; que amou, trabalhou e lutou por nobres ideais da sociedade:
“O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, mas por aqueles que permitem a maldade.” Albert Einstein
Duma forma mais simples, em jeito de filme série B eu diria: – “o mal só avança porque os bons não fazem nada…”
A isto eu chamo muito simplesmente “cidadania activa e participada”, liberdade com responsabilidade, humanidade com ética, respeito pela vida que não nos pertence e pela morte que está anunciada, mas é crime provocá-la ou antecipá-la e será uma aberração legislá-la.




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