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Alarme social!

Passaram alguns anos sobre a data do 25 de Abril de 1974 e por certo na memória de muitos de nós permanecem os momentos vividos, a confusão, os vivas à Liberdade, a intensidade com que se viveu o 1.º de Maio, as ruas cheias de uma multidão que cantava, ria e gritava conforme as palavras de ordem que surgiam.Depois aos poucos o país continuou a trabalhar e a acreditar num país novo, com pão, trabalho, paz e liberdade! O MFA foi sendo referência e os partidos defensores do pluralismo democrático.

J. Carlos Queiroz
17 Abr 2013

As palavras esquerda e direita, associadas ou não ao socialismo e ao conservadorismo, estiveram na moda durante algum tempo, talvez mesmo anos, mas a estabilidade social e a credibilidade de alguns políticos motivavam o interesse pelos debates nas televisões e mesmo no Parlamento. Os actos eleitorais constituíam momento de grande ansiedade e também de participação cívica, todos tendo opinião e já algum “clubismo” partidário. Com o passar dos anos muita coisa foi mudando e mais de trinta anos depois, parece ter desaparecido do cenário político português a motivação, a alegria, o sentimento de amor à liberdade, a credibilidade política, as motivações que alimentavam uma jovem democracia. Certamente porque as questões económicas têm hoje um peso excessivo na vida dos cidadãos, mas receio que também, pelo comportamento de políticos que não transmitem confiança e inspiram antes intranquilidade e grandes preo-
cupações sociais.
Durante algum tempo ainda pairou no ar a ideia de tudo resultar do contexto político internacional, porém rapidamente se compreendeu haver culpas nunca embora nunca assumidas pelos responsáveis da governação.
Recebemos milhões de euros, apostamos em projectos e gastamos ainda aquilo que pedimos, e foi muito, em obras, em parcerias, em eventos que nada trouxeram ao país.
Os projectos políticos esqueceram as pessoas porque elas deixaram de ser os seus destinatários, para passarem a ser apenas contribuintes conhecidos por um número! Na verdade o nosso Estado Social na prática  terá uns cinquenta anos e já está doente e mesmo acusado do terrível crime de culpado do despesismo. É assim que jovens que rapidamente saltaram das cadeiras das escolas para as Universidades e para os partidos, onde finalmente encontraram o caminho para o poder, trataram de apresentar ideias e filosofias, certamente bem intencionadas, mas
sem sustentabilidade e coerência, com as necessidades do país e dos seus cidadãos. Ignorar e castigar economicamente pensionistas e reformados, escolher opções políticas que antecipadamente mostram sinais de contribuírem para fecho de empresas, desemprego, pobreza ou mesmo miséria, são inevitabilidades que nenhum povo merece, muito menos aqueles que sempre trabalharam e contribuíram com o seu esforço e com a sua vontade, para o desenvolvimento do país. Ouvir hoje discutir apenas austeridade, nomes de comentadores políticos, ou aumento de preços nos bens essências, motiva desalento, indignação e revolta em qualquer cidadão.
O país vive momentos dramáticos e mesmo assim não são anunciadas medidas para enfrentar os problemas e apontar um novo rumo, capaz de gerar emprego, trabalho, riqueza, produtividade. Será que o simples anúncio de despedir funcionários com recurso ou não a indemnizações compensatórias e subsídios, constitui algo de positivo, quando é certo daí vai resultar mais desemprego e novas reformas! Que opções são estas que apenas apontam como resultado mais despesa e instabilidade social? Os portugueses não querem continuar a servir de ensaios para  análises políticas, mas têm o direito de ter um governo que pense neles e não seus direitos a uma vida com dignidade e qualidade.
Esqueçam essas ideias de governar com mais ou menos Estado e filosofias conexas… pensem antes nas pessoas e nas soluções possíveis para lhes transmitirem de novo sinais de esperança! Chega de tomar medidas que antecipadamente sabem que só contribuem para mais desemprego! Vejam só o que conseguiram com o aumento do IVA? Será que aprenderam?




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