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Comédia trágica

Assistimos nestes últimos tempos a algumas comédias democráticas. Primeiro foi a moção de censura apresentada pelo PS quando se sabia que não passava de uma comédia para representar uma tragédia anunciada pelo próprio PS. Depois José Seguro proclama e apela a eleições antecipadas, o que vem a ser secundado pelo comentador José Sócrates quando se sabe, e sente no íntimo de cada um, que eles encenam uma comédia democrática: nem um nem outro querem para já eleições.

Paulo Fafe
15 Abr 2013

Depois o mesmo José Seguro faz uma comunicação ao país de uma trágica nulidade. Então por que razão estão na representação? Que comediantes são estes? Para quê e com que sentido se faz tanta comédia? Sem produzir efeitos, qualquer ação política não passa de uma pantomima, tornando o ato tão ridículo como ridículo torna quem o representa. Toda a comédia democrática acabará fatalmente em tragédia para os comediantes. Em vez de risos nos outros, provoca lágrimas em si. O país sério, o profundo e real, já não vai em palhaçadas deste teor, sabe distinguir o que é verdade e o que é fingido. Ficou estupefacto perante este PS e, em seu julgamento, censura os que quiseram censurar. Não cabe na cabeça de ninguém que o PS queira criar uma crise política, então porque dizem, “agarrem-me se não eu bato-lhe”? Os investidores estrangeiros passaram a olhar para nós como um país de economia movediça. O PS em vez de âncora forte e bem cravada no fundo do interesse nacional, tornou-se num barco desgarrado onde predomina ansiedade coletiva. A instabilidade aproveita a quem? Quem investe num país sabendo que de um momento para o outro as leis sob que investiu podem mudar com a mudança de governo?! Nem o capital de risco aposta numa coisa destas. Gerir investimentos é gerir expectativas. Não sei se será muito fácil convencer os investidores a colocarem cá as suas empresas, dado o grau de incertezas que o PS provoca diariamente. Entretanto o PS vai-se desacreditando aos olhos de nós todos. Querem ser governo? Vão sê-lo mas tenham calma. E nós precisamos de um PS forte e credível. Sem um PS de sentido nacional e um PSD à mesma altura ficamos órfãos de pai e mãe. Os outros partidos serão os orfanatos desta orfandade. Vejo com tristeza que o interesse pessoal se está a sobrepor ao interesse nacional. E tantas vezes aqui tenho pugnado por um PS credível! O PS tem que compreender de uma vez por todas que quanto mais responsável se mostrar mais votos ganhará e o contrário é igualmente certo. Nesta fase da vida nacional, o que mais interessa a todos os portugueses é alguém que governe bem o país. E governar bem é apenas ter olhos que apontem numa só direção: Portugal. Que se desenganem uns tantos que julgam poder ganhar as eleições apenas cavalgando o enorme descontentamento nacional, ou apinhando as ruas com manifestações espontâneas ou organizadas. Ganharão aqueles que, sem discursos retóricos ou demagogias bolorentas, mostrarem ao povo que têm um plano concreto e exequível para salvar Portugal. Um plano real com alternativas que digam: aqui faremos assim, e acolá desta e daquela maneira, com este e aquele dinheiro. Deixem as palavras de sinos rachados, passem a retórica para trás das costas e vão-se à ação. O País respira ansiedade por um governo pragmático e medo de um governo teórico e já não suporta demagogias, muito menos anúncios de milagres económicos. Penso que há conselheiros políticos que devem deixar em paz os manuais velhos da ciência política; tenham cuidado porque quando a comédia se transforma em tragédia até as pedras choram.




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