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Fenómenos de luzes

Que, de vez em quando, acontecem fenómenos invulgares que, no estado actual dos nossos conhecimentos, ainda não sabemos explicar, toda a gente sabe: a diferença é que uns, por medo ou por fanatismo de qualquer ordem, preferem negá-los, porque podem pôr em causa as suas convicções; e outros procuram encontrar explicações, porque é essa a condição humana. Tudo é uma questão de atitude pessoal.

M. Ribeiro Fernandes
14 Abr 2013

Há umas semanas, contaram-me um fenómeno desse género. Contado na primeira pessoa, por quem mo transmitiu, podia ser mais ou menos assim: “o meu pai encontrava-se doente, internado no hospital, à espera de ser submetido a uma intervenção cirúrgica e, entretanto, a minha mãe ficou em casa, com as minhas irmãs, a tratar da família e das lides da casa.
Numa dessas noites de longa vigília, preocupada com o estado de saúde do meu pai e à espera que o sono chegasse, a minha mãe estava na cama, ainda acordada, mas de olhos fechados e resolveu ver que horas eram. Ao abrir os olhos, às escuras, viu na parede do quarto que ficava em sua frente duas luzes muito vivas, uma ao lado da outra, posicionadas a cerca de meio metro do chão. Fixou-as bem e verificou que se mantiveram imóveis durante alguns minutos; depois, uma das luzes apagou-se e a outra, de seguida, movimentou-se para o lado da janela e desapareceu.
Para além de se ter assustado um pouco com o aparecimento dessas duas luzes, a minha mãe ficou muito preocupada, porque interpretou essa visão como representando o meu pai e ela, sendo que a luz que se apagou se referisse ao meu pai, que estava internado e fosse um sinal de que ele ia morrer. Como nestas coisas nunca se tem a certeza, procurava tranquilizar-se, pensando que podia até nem significar nada, mas a verdade é que essa interpretação não lhe saía da cabeça. 
Infelizmente, os acontecimentos posteriores justificaram a sua preocupação, embora a interpretação do fenómeno da aparição dessas luzes fosse ao contrário do que ela previra: passados alguns dias, o marido foi operado, a intervenção cirúrgica correu bem, a recuperação também e, logo que teve alta do hospital, regressou a casa; com a minha Mãe é que a situação foi diferente, passado cerca de um mês, começou a sentir-se mal, foi fazer vários exames médicos e foi–lhe detectado um cancro, já em fase muito avançada. Ao tomar consciência da gravidade da sua situação de saúde, a minha Mãe comentava que o sinal das luzes estava correcto, ela é que se tinha enganado na sua interpretação. A luz que se apagou referia-
-se a ela e não ao meu pai. E assim aconteceu: passados 3 meses, ela faleceu.
1. Este tipo de fenómenos de luzes é conhecido, desde sempre, na literatura e na Bíblia, embora não seja assim muito frequente, como também não é muito frequente haver pessoas sensitivas que os vejam. Começando pela hipótese mais simples, vamos admitir que possa ter sido uma mera ilusão óptica. A senhora estava muito preocupada com o estado de saúde do marido, cansada, sem dormir, podia ter esfregado os olhos e visto luzes, ter tido uma ilusão óptica. Ao ver a evolução dessas luzes, podia, de acordo com o seu estado de espírito de preocupação com a doença do marido, ser levada a interpretar que a luz que se apagou fosse a representação do marido, que estava internado no hospital e fosse morrer. Poderia ter sido a interpretação que lhe ocorreu espontaneamente.
Mas, esta hipótese não parece muito provável, porque não se tratou de fosforescências de esfregar os olhos, mas de duas luzes fixas e distintas, que depois se movimentaram.
2. Outra hipótese é ter-se tratado de uma pessoa com um grau sensorial de percepção para além da média e ter acontecido uma espécie de precognição do futuro.
3. Outra hipótese é admitir que alguém comunicou com ela através desses sinais. Mas, se alguém comunicou com ela, quem é esse alguém e qual o seu papel em relação a essa pessoa?
Não sei se por influência cultural ou não, as pessoas sempre atribuíram estas mensagens aos espíritos bons que as guardam, ao seu anjo da guarda. As investigações dos fenómenos de “quase-morte” ou de experiências de regressão através da hipnose retomam essa tradição.
4. Na ausência de certezas, cada um tende a admitir a hipótese de que mais gostar: ou mera ilusão óptica, ou precognição do futuro ou aviso tutelar. Mesmo que não se saiba mais nada, há uma coisa que é admissível: não se pode negar os factos só porque os não sabemos explicar.




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