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Um olhar em redor

Se dúvidas restassem ainda quanto à inaptidão política de Passos Coelho para imprimir ao país um rumo eficaz tendente a libertar-nos, mesmo que aos poucos, deste autêntico fosso em que ele próprio e os seus pares nos mergulhou a todos, bastaria o modo como se permitiu criticar as decisões tomadas pelo Tribunal Constitucional ao chumbar quatro normas do seu Orçamento já em vigor para 2013. Inacreditável.

Joaquim Serafim Rodrigues
13 Abr 2013

Encrespado, tenso, distante da postura exigível a um primeiro-ministro à altura do seu cargo, ou seja, calmo e seguro das medidas a tomar face às circunstâncias (faltou-lhe tempo para as prever?) Passos Coelho mais parecia aludir a uma qualquer inesperada invasão do país por forças estrangeiras ou, na inversa, que se via obrigado a declarar guerra a determinada potência inimiga, tal o dramatismo do seu infeliz comunicado. Só lhe faltou bradar às armas!
Se acrescentarmos, porque é um facto, que procedeu e se apresentou assim aos portugueses apoiado também na cobertura dada ao seu Governo pelo Presidente da República, então resta-nos assistir pacientemente aos triunfos políticos, claro, ou êxitos (estão à vista) deste Executivo até à sua derrota final.
A menos que… Sim, a menos que perante um qualquer volte-face, o Chefe do Estado se veja obrigado a sair do seu dolce farniente e, convocando o Conselho de Estado, intervenha (já o devia ter feito) e ponha cobro a este desgoverno, há muito desacreditado perante a falência completa das medidas postas em prática até hoje. E como, nesta altura, seriam inadequadas de todo eleições antecipadas dissolvendo a Assembleia da República, apenas um novo Governo transitório de iniciativa presidencial se vislumbra como remedeio, precário é certo, atenta a situação, constituído por figuras políticas credíveis, experientes, descomprometidas e dispostas a resgatarem este infortunado país das grilhetas que o prendem actualmente.
Não tirem, no entanto, os meus eventuais leitores, conclusões apressadas ou descabidas – não me considero verdadeiramente nem de esquerda nem de direita, antes procuro ser moderado, equilibrado, desapaixonado e justo (talvez sem o conseguir por vezes, admito) reconhecendo contudo aos outros o direito de perfilharem, neste campo, as doutrinas ou filosofias que entendam melhor servirem a nação de todos nós, daqueles que a estremecem pelo menos. Mas deixo aqui de fora, como é evidente, os exaltados, os fanáticos e, bem assim, aqueles “democratas” que brotaram aos milhares após o 25 de Abril (contava-se que, no dia seguinte ao da implantação da República, o único monárquico existente em Lisboa era a Rainha…).
Dois apontamentos finais: não perdi, neste último domingo, os habituais comentários do professor Marcelo Rebelo de Sousa nem a estreia de José Sócrates na RTP. Para se fazer um juízo é sempre bom assistir, presenciar e não “falar de outiva”. Quanto ao primeiro, o costume, esbraceja muito, reclina-se todo, debruça-se sobre a mesa defronte do, ou da jornalista – aquele espectáculo, enfim, aquele inegável poder de comunicação “mas, atenção (estou citando, note-se) temos aí duas coisas, duas não, são três” e prossegue na sua análise, as frases soltando-as em catadupa, torrenciais, servindo a sua dama, claro, sem contradita nem contestação, embora aqui e ali, mas ao de leve, dê uma no cravo e outra na ferradura, assim ressalvando a sua imparcialidade.
Quanto ao segundo, direi apenas que não lhe falta estofo político. Mas do seu passado ficou a imagem de um governante pouco ou nada credível, mostrando-se, isso sim, um verdadeiro comediante, um actor que o nosso teatro nunca soube aproveitar e, oxalá me engane, voltou para “baralhar” e dar cartas de novo.




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