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“Parem com a austeridade!”

Seria substantivamente maravilhoso e desejável que tal acontecesse, mas a crise não pode ser saneada por decreto, nem ser encapotada com mentiras do primeiro de abril. “Parem com a austeridade” é um grito histérico proferido por alguém que nos conduziu para o abismo e para a ara dos sacrifícios, segura e estupidamente.

Armindo Oliveira
13 Abr 2013

Só em pensar que este ex-líder partidário recebeu a governação do país em 2005 com a notação invejável de duplo AA das agências internacionais de raiting e deixou-o em 2011 com a notação de “lixo financeiro”, para não falar do aumento monstruoso da dívida pública que ocorreu no seu mandato, era mais do que suficiente para não lhe dar qualquer crédito ou aceitação. Mas neste país a memória é curta e muita seletiva, dado que somos muito complacentes com os políticos da “abençoada esquerda” e terrivelmente cáusticos e exigentes com os da “maldita direita”.
Austeridade é justamente um momento económico que pretende recolocar na ordem as contas públicas e disciplinar os abusos incomensuráveis de políticas irresponsáveis e bacocas, sempre ao abrigo do chavão “Estado Social”. Austeridade deveria conter um aviso sério aos partidos políticos de que não há mais dinheiro para se esbanjar em demagogias e brincadeiras e fazer-lhes despertar, ao mesmo tempo, a consciência que a bagunça eleitoralista acabou definitivamente. O tempo das aldrabices, das irresponsabilidades e das ilusões é passado e agora vão ser necessários ajustes garroteados e imensos sacrifícios, para que o país entre nos eixos e possa aspirar um dia a ter uma vida melhor e mais sossegada.
Se analisarmos a realidade nacional, mesmo ao de leve, verifica-se um agravamento generalizado da situação económica, social e financeira. A recessão vai atingir, em 2013, um patamar preocupante; a dívida pública chegou já ao nível do insustentável; os défices estão fora do controlo e as condições de vida cada vez mais complicadas, principalmente para aqueles portugueses que perderam o seu ganha-pão. Neste cenário triste e inimaginável ainda há bem pouco tempo, desponta já no horizonte político a franca possibilidade de haver um segundo resgaste, provocado pelo chumbo do Tribunal Constitucional a algumas medidas do Governo. O acórdão do TC vai-nos sair muito caro, extremamente penoso e suficientemente asfixiante que degolará qualquer veleidade de se consolidar as contas públicas a curto prazo e de se aspirar ao desejado crescimento económico com a consequente criação de emprego. Para turvar mais a atmosfera política de grande conflito institucional, em que a conquista do poder está sempre presente, a moção de censura apresentada pelo Partido Socialista, chumbada entretanto no Parlamento, veio criar mais um foco de crispação interpartidária e contribuirá, por certo, para a degradação da imagem do país nos mercados internacionais que, entretanto, estava a credibilizar-se. Portanto, estão reunidos todos os ingredientes para se tornar Portugal, um país verdadeiramente ingovernável e insustentável.
Enquanto os portugueses se começam a aperceber do sarilho em que estão metidos, os partidos do arco da governação andam a brincar com a democracia, com o futuro e as esperanças das pessoas e com o bom-nome deste país. Seria muito mais fácil e aceitável que, todos juntos, desenhassem um modelo governativo eficaz e congruente, delineassem estratégias arrojadas e se comprometessem com um acordo de regime neste momento de grande aflição para se fecharem as portas da pobreza, da miséria e do desemprego.




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