Fotografia:
50.º aniversário da Encíclica Pacem in Terris

No dia 11 de Abril de 1963, foi publicada a Encíclica Pacem in Terris (Paz na Terra), do Papa João XXIII, dois meses antes da morte do Papa e dois anos depois da construção do Muro de Berlim.O miolo da Encíclica é a: “Paz de todos os povos na base da Verdade, Justiça, Caridade e Liberdade”. Encarando a conjuntura criada pela Guerra Fria, João XXIII defende que “os conflitos entre as nações devem ser resolvidos com negociações e não com armas e na confiança mútua (n.º113)”.
Para o Papa João XXIII, “a Paz entre os povos exige: a verdade como fundamento, a justiça como norma, o amor como motor, a liberdade como clima”.

Maria Fernanda Barroca
13 Abr 2013

Ao escrever estas linhas dou-me a pensar se os nossos contemporâneos compreendem esta linguagem. «Sem armas?» E o que seria dos países que vivem desse negócio, enquanto os seus governantes, sentados à mesa, bem comidos e melhor bebidos, falam em acordos de entendimento? «Confiança mútua», quando a pirataria informática e não só, está cada vez mais aperfeiçoada?

Quem ler esta Encíclica verifica a sua ligação à Doutrina Social da Igreja e é considerada uma das mais famosas do século XX e muitas das suas ideias foram adoptadas e defendidas pelo Concílio Vaticano II (1962-1965).

Neste texto há 5 partes que a compõem: a) uma reflexão aprofundada “dos direitos e deveres da pessoa humana”, enquanto fundamentos da paz; b) “as relações entre os indivíduos e os poderes públicos, em cada comunidade política deve ser orientada para a promoção do bem comum”; c) reflexões sobre “os problemas concretos, como os das minorias (n.º 94–97), os dos povos subdesenvolvidos (n.º 123), os dos refugiados políticos, os do desarmamento, e os dos desarmamentos (n.º 110)”; d) analisa “as relações dos indivíduos e das comunidades políticas com a comunidade mundial, preconizando a instituição de uma autoridade pública universal (nº. 132-138) e afirmando o princípio da subsidiariedade, em que as pequenas comunidades possam exercer livremente as suas atribuições dentro da linha do bem comum” (n.º 140); e) nesta parte o Papa João XXIII recomenda o “aspecto ecuménico da Encíclica”, exortando todos os homens de boa vontade a […] retomar relações de convivência humana”.

Quando a Pacem in Terris foi publicada provocou grande alvoroço, inclusivamente no bloco soviético, pois a Encíclica contrariava tudo que os soviéticos defendiam; era a guerra contra a paz; era o ódio ideológico contra as pessoas de boa vontade; era a prepotência contra a negociação.

Esta política diplomática – a ostpolitik – deu frutos e foi continua-da pelo Papa Paulo VI. Os católicos na Polónia, na Hungria e na Roménia, obrigados a uma ideologia errada, ficaram um pouco mais livres.

Mas a Encíclica defendeu também o desarmamento e uma melhor distribuição dos recursos naturais. Mas, quando eu vejo as continuas guerras entre países vizinhos, dou comigo a perguntar: de onde vem tanto armamento? Quem tem interesse em alimentar esses conflitos? Será que esses responsáveis conseguem dormir em paz, quando se sabe que a despesa com armamento dava para comprar alimento para milhões de pessoas?

Estamos a comemorar o Ano Internacional para a Cooperação pela Água e contudo são milhões os que morrem à sede, por desidratação, ou porque não têm mesmo água potável ou porque as grandes indústrias, alheias ao que não dá lucro, conspurcam essa água com poluentes e pesticidas.

Há bem pouco foram descobertas em Portugal embalagens de comida para bebés cujos ingredientes tinham pesticidas!

A água é um bem essencial para a sobrevivência e deve ser respeitada. Por isso eu apoio uma mulher do campo que entrevistada, na TV, se consumia água engarrafada, respondeu: bebo da torneira, e mesmo assim é cara! É esta tecla que mexe com os nossos governantes: pagamos a água + X de resíduos + X de taxas, etc.

Como tenho ouvido dizer: fulano só censura e não dá sugestões, eu sugiro que aos detentores de cargos públicos seja oferecido um exemplar da referida Encíclica, para lerem. Assim os nossos deputados, que nos plenários só lá estão para dizer «sim», «não» ou «nim», nos intervalos iam lendo a Encíclica, porque um país que despreza a Cultura é um país sem futuro!

Mas não se riam: devido à sua importância e popularidade a Encíclica Pacem in Terris está actualmente depositada nos arquivos da ONU.




Notícias relacionadas


Scroll Up