Fotografia:
Decerto voltou para pagar as nossas dívidas…

1 – À falta de tribunais, há sempre uma RTP como palco). Eis mais um daqueles prodígios do famoso país onde em 2011 roubaram sem castigo dezenas de está-tuas dos seus pedestais. E que desde 75 arde todos os verões. E que apesar de se ter transformado num eucaliptal, ainda ninguém descobriu a ligação entre uma coisa e a outra. O seu último prodígio será o de um político que foi por largos anos manchete nos jornais, rádio e TV, a propósito de suspeitas de envolvimento em processos que estavam em julgamento nos tribunais. Mas que nunca foi sequer chamado a depor, a não ser por escrito. E que agora, para “limpar o seu bom nome” não aceita menos que uma amigável entrevista de quase 2 horas ( e logo na TV do Estado!). Na condição de se tornar, a partir de então, comentador-residente do próprio canal público, nunca menos…Nem a sólida teia de testemunhos e vídeos com a voz de envolvidos nacionais e estrangeiros, bastaram para que o “douto alvitre” de juízes e do MP (ou de Cândida Almeida e Pinto Monteiro) se dignassem chamar a julgamento o dito político, no célebre caso da alteração do PDM no “Freeport” de Alcochete. E se neste caso conseguiu passar “elegantemente” entre as gotas do aguaceiro, não se vê que em mais algum caso, menos flagrante, pudesse alguma vez ser acusado. Ainda houve alguma esperança, quando aqueles dois “monarcas republicanos”, Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento, andaram a “jogar à batata quente” com as gravações do tribunal de Aveiro, no processo “Face oculta”. O povoléu (11 milhões), que se limite à sua insignificância. Não é digno de conhecer os segredinhos que ficarão para sempre na posse daqueles 2 aristocratas, que mandaram destruir as ditas gravações.

Eduardo Tomás Alves
9 Abr 2013

2 – Isto de se confundir “liberdade de expressão” com um púlpito semanal na RTP…). Se cada português, para supostamente lavar a sua honra, tivesse direito de ir à RTP quando lhe aprouvesse, a TV não teria tempo para mais nada. Foi Alberto da Ponte? Foi Relvas? Quem teria tido a ideia peregrina de atribuir tanto tempo de antena em horário nobre, durante a actual governação PSD-CDS, àquele que foi até há uns meros 2 anos, o mediático 1º ministro do desgraçado governo anterior, que em 6 anos duplicou a nossa dívida pública? E que, com projectos inúteis, megalómanos e caríssimos (auto-estradas, barragens, parques eólicos) destruiu, quiçá para sempre, largas porções do nosso pequeno mas sagrado território. Com a agravante de que essa destruição, ignorante e sistemática, irá minar a nossa capacidade de, através do turismo de Natureza, essa nossa “indústria verde”, podermos duplicar ou triplicar os rendimentos que já obtemos das estadias dos turistas em praias e cidades.
3 – Quem terá sido a tal “mão de dentro dos arbustos”?). A imagem, sugestiva mas também algo esquisita e pervertida, é do próprio Sócrates. Dado, pois, o extraordinário da situação, pode perguntar-se: o que é que estará por trás deste insólito convite? Com que verdadeiro propósito foi convidado? O que terá dado em troca? O que pretende cada uma das partes? E isto não é uma afronta a Seguro? Por que é que numa altura tão difícil para o PSD se chama outra vez a raposa para a meter dentro da capoeira? É algum conluio maçónico para reabilitar o propagandista alijoense, esse dilecto “filho das trevas”? Afinal é tudo a mesma coisa, é o tal “centrão”, são mesmo todos iguais?
4 – Sócrates é um político importante, não se pode disfarçar de simples “comentador”). A tal raposa entra agora pelo capoeiro adentro, coberta por uma grossa casaca de inocentes penas brancas. “É tão branquinha, deve ser boa pessoa”, dizem as desmemoriadas galinhas umas para as outras. A entrevista foi à dupla Ferreira e Gonçalves (e não esquecer que este último se promoveu durante a era socratista). Sócrates respondeu com o mesmo ar de inocente “capuchinho vermelho” que já havia exibido na célebre entrevista a Judite de Sousa, há anos, quando se descobriu que havia concluído o curso de forma muito esquisita. De início apareceu crispado e nervoso, mas logo foi hipnotizando os 2 jornalistas. E pôde aparecer humilde, sedutor, manipulador de dados, bom advogado (que lá isso é), qual Vale e Azevedo da política (a frase é de Catroga). E, espanto, não admitiu qualquer culpa na nossa quase bancarrota!
5 – Como é possível hoje, ainda haver socratistas?). Os portugueses, por causa de Sócrates, têm 1 milhão de desempregados, pagam impostos mais que brutais, aderiram a um pesadíssimo resgate financeiro, penhoraram a soberania por alguns anos. Porém, continuam por aí a perorar os Zorrinhos, os Galambas,  as Isabeis Moreiras, as Lurdes Rodrigues, os Santos Silva, os Correia de Campos. É grave. Um país assim distraído pode qualquer dia precisar de um protector, de um Cromwell qualquer… Não será a 1ª vez.




Notícias relacionadas


Scroll Up