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Ascensão e queda de um pequeno império!

Era uma vez…, assim começam todas as histórias e esta é mais uma que não foge aos preceitos habituais.Há cerca de trinta e sete anos, chegou ao poder, por sufrágio popular, um jovem príncipe que, logo após ter conquistado o direito de ocupar os aposentos do palácio presidencial da milenar urbe que se propôs governar, tratou de consolidar a sua autoridade. Para o conseguir, preparou uma ardilosa estratégia que, fundamentalmente, consistia em trazer para as suas hostes todos aqueles que no ato da investidura ainda carpiam mágoas da derrota tangencial com que nunca tinham sonhado. Se bem a pensou, melhor a pôs em prática!

J. M. Gonçalves de Oliveira
9 Abr 2013

Ao longo do seu longo percurso, que a cada eleição foi renovando com insofismável apoio popular, sedimentou autoridade multiplicando amarras e cultivando conivências que envolvessem não só os seus apaniguados mas também quantos, que mesmo não colhendo as suas simpatias, ao longo do tempo fossem necessitando dos seus préstimos. Abreviadamente foi este o caminho que meticulosamente percorreu e lhe possibilitou o extenso reinado.
Na iminência de ter de resignar, por força de uma lei arquitetada por alguns fidalgos que nunca desistiram de limitar a permanência no poder a três mandatos, terá de passar o testemunho.
Quando a notícia começou a circular entre os seus súbitos iniciou-se um demorado processo de sucessão que, apesar de todos os esforços, deixou divisões profundas nas suas tropas a que se juntam outros sinais que fazem adivinhar o fim do seu pequeno império.
Às grandes turbulências que se seguiram à nomeação do herdeiro ao trono somam-se provas inequívocas de decadência e desagregação do reino.
A obra mandada erigir no centro da cidade falhou o objetivo de serenar os ânimos enfurecidos e, ao contrário do ambicionado, semeou discórdia e perplexidades. As populações rurais não entendem aqueles gastos avultados, quando as suas aldeias esperam investimentos programados e continuamente adiados. A alienação do espaço ainda disponível nas avenidas, ruas e praças, para estacionamento gracioso dos automóveis, gerou cólera e revolta na maioria dos súbditos. Mesmo o desempenho dos atletas contratados para defender a associação mais emblemática da cidade, que nos últimos anos tanto tem contribuído para a alegria do povo, por esta ou aquela razão, deixou de ter esse papel, semeando desalento e frustração. Há mesmo quem pense que poderá acontecer um regresso a um passado não muito distante.
No seio destas trapalhadas, receios e desilusões surgiram recentemente pesquisas, realizadas nos vassalos do trono a vagar lá para o fim do estio, que dão larga vantagem ao pretendente de outra linhagem que se perfila como potencial vencedor. Trata-se de um líder de uma outra família que há muito persegue o sonho de conquistar a chefia dos descendentes da romana “Bracara Augusta”.
No contexto de tamanho desalento, atendendo às declarações que se vão murmurando em cada recanto e aos dados objetivos que se vão notando cada vez mais intensamente um pouco por toda a parte, não estaremos longe da verdade se afirmamos estar a testemunhar a queda do pequeno império que encarna o enredo desta rubrica.
Como qualquer ser vivo, os ciclos do poder nascem, crescem durante um tempo variável e acabam em glória ou, pelo contrário, definham com a inexorabilidade do tempo. Será este o destino do imperador desta história e da sua família política.




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