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Um olhar em redor

O regresso um tanto ou quanto inopinado ao nosso país do anterior primeiro-ministro José Sócrates, agora como comentador político da RTP (só deu por enquanto uma entrevista mas são por demais evidentes as “ondas de choque” já provocadas nos mais diversos sectores da vida nacional, mormente entre os seus detractores e aqueles que o apoiam incondicionalmente), acontecimento este que me fez mergulhar no passado lembrando apenas o sucedido nestes dois últimos decénios, politicamente falando como é evidente.

Joaquim Serafim Rodrigues
6 Abr 2013

Quer o governo actual (sobretudo este, de uma incompetência a toda a prova) quer todos aqueles que o antecederam, jamais foram capazes de encaminhar este nosso empobrecido e dependente país numa senda de progresso, num rumo minimamente decente, que nos dignificasse, enfim, perante os demais parceiros europeus, que despertasse, em suma, neste povo tão sofrido e paciente o orgulho de ser português, sentimento há muito adormecido em grande parte da nossa gente, o que não deixa de ser lamentável.
Após o afundamento do cavaquismo, passando por Guterres igualmente de má memória e, mais tarde, face à ?deserção? de Durão Barroso à qual anuiu, algo estranhamente, o então presidente Jorge Sampaio que, logo em seguida e de modo ostensivo dificultou a vida a Santana Lopes (depois de o ter aceite como “herdeiro” de Durão Barroso!), até ao momento em que foi possível a entrada em cena de José Sócrates como novo primeiro-ministro. Muito a propósito, refiro aqui que Santana Lopes, independentemente da sua competência, ou falta dela para o exercício de certos cargos, é um político sério, culto e educado, merecendo por isso respeito. Mas adiante.
Portugal tem retrocedido praticamente sob todos os aspectos, ou seja, em tudo aquilo que projecta ou impõe um país que se quer democrático, sim, mas como deve ser – um sistema político em que a autoridade emana do conjunto dos cidadãos baseando-se em princípios de liberdade, igualdade e bem-estar, o que não é o caso de forma alguma, sobretudo presentemente. Vejamos: um sistema judicial complexo, lento e permissivo no que toca a certas decisões; no que à Saúde concerne as desigualdades ou assimetrias são por demais evidentes (ai, dos pobres, que nunca foram tantos como agora!); o Ensino e em que condições ele se processa desde o “primário”, fonte de todo o civismo que, entre nós está longe de o ser; a falta de segurança que todos sentimos, comportando todo o tipo de violência quer em pleno dia quer de noite, sendo incontáveis e, podemos dizê-lo, diariamente, os assaltos, os roubos, os homicídios, os raptos e as violações. Elucidativo, todo este quadro negro!
Não termino sem aludir ao regresso de José Sócrates, quaisquer que sejam os seus propósitos. Não se trata de nenhum homiziado, é, para já, mais um analista político (não navego nas suas águas, como suponho que sabem os meus prezados leitores), mas aqueles que por cá já peroram há muito, pouco ou nada contribuem, a meu ver, para a melhoria deste actual estado de coisas. O professor Marcelo, por exemplo, divaga demais, naquele seu estilo “sim, mas também”, ladeando habilmente certos assuntos, mas acutilante noutros quando lhe convém; Sousa Tavares, por seu turno, pode ser considerado um “peso pesado” como jornalista e comentador, batendo forte e feio seja naquilo que for, um auto-convencido, ditando sentenças em matérias que lhe escapam de todo, já que não se pode ser bom em tudo.
Uma nota, como remate desta minha crónica: espera-se com justificada ansiedade a decisão do Tribunal Constitucional quanto às questões levantadas relativamente ao Orçamento de 2013 (inaceitável a “pressão” despropositada a esse respeito que Passos Coelho se permitiu fazer), situações estas evitáveis caso o presidente Cavaco Silva não tivesse promulgado esse mesmo Orçamento face às dúvidas que alegou ter.Trata-se de um Presidente da República ou da Rainha de Inglaterra?




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